(Adobe Stock) Setor que responde por 11% do PIB Industrial do País, a indústria química projeta um 2026 com “otimismo responsável”, após fechar 2025 com faturamento líquido de US\$ 167,8 bilhões (R\$ 925,4 bilhões), um crescimento de 2,9% em relação ao ano anterior. A boa notícia para o setor no final do ano foi a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva do Programa de Retomada e Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq), no último dia 22. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O programa aperfeiçoa o Regime Especial da Indústria Química (Reiq) e estabelece metas de modernização, descarbonização, eficiência energética e inovação, Ele estabelece duas modalidades de benefícios. Em uma delas, a industrial, as empresas cadastradas poderão receber créditos financeiros equivalentes a até 6% do valor gasto na compra de alguns insumos químicos. Retrospectiva Para o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), André Passos Cordeiro, o ano de 2025 foi de grandes desafios, mas também de importantes conquistas para o setor químico brasileiro. “Conseguimos avançar em frentes decisivas que fortalecem a competitividade da indústria, preservam empregos e pavimentam o caminho da transição para uma produção mais sustentável”, afirma. Para a entidade, ainda existe um cenário desafiador marcado pelo aumento das importações em condições desleais de concorrência, que vêm pressionando a produção nacional e a geração de empregos. As importações do setor somaram US\$ 72,4 bilhões (R\$ 399.3 bilhões), alta de 13% sobre 2024, enquanto as exportações atingiram US\$ 15,5 bilhões (R\$ 85.4 bilhões), resultando em déficit comercial de R\$ 313,9 bilhões - o maior da série histórica. Enquanto isso, o nível de utilização da capacidade instalada é 64%, entre os mais baixos das últimas décadas. Apesar disso, o setor químico se destacou na indústria de transformação brasileira. Um exemplo é a remuneração média, com salários de cerca de R\$ 7,4 mil, atrás apenas do setor de refino e biocombustíveis. Cordeiro crê que, após anos de retração, o setor começa a dar sinais de estancamento da queda e leve retomada de crescimento. Duas situações foram decisivas para essa mudança: a elevação temporária das tarifas de importação para 30 grupos de produtos químicos (medida renovada em 2025) e a adoção de medidas antidumping (contra a exportação de um produto por um preço inferior ao valor praticado no mercado interno) em segmentos estratégicos. “Essas decisões começaram a conter o avanço das importações sobre o consumo total de químicos no Brasil e contribuíram para estabilizar a produção, as vendas e o faturamento do setor”, acrescenta. Sustentabilidade é bandeira para crescimento Para a entidade que representa o setor, a sustentabilidade é um importante eixo de atuação, como na formulação de políticas como a Taxonomia Sustentável Brasileira, o Plano Clima, o Selo Verde e a estruturação do mercado regulado de carbono. Cordeiro cita também o estudo Trajetórias para a Neutralidade Climática da Indústria Química Brasileira, elaborado em parceria com a consultoria Carbon Minds. “Ele mostra que a descarbonização da química brasileira é viável e representa uma enorme oportunidade de competitividade global. O Brasil pode liderar essa transição graças à sua matriz energética limpa e à crescente integração entre inovação, política industrial e sustentabilidade”, reforça Passos. Para ele, será essencial estimular projetos de inovação, química verde e tecnologias de baixo carbono, ampliando o papel do setor na agenda climática e no desenvolvimento sustentável do País. “Se conseguirmos alinhar competitividade, previsibilidade e planejamento energético, o Brasil terá condições de inaugurar um novo ciclo de crescimento industrial e geração de empregos qualificados”, complementa.