Pandemia impõe corrida ao crédito

Micros tentam formar caixa para sobreviver

Oito em cada dez pequenos empresários da região que estão buscando auxílio do Sebrae durante esta pandemia querem saber onde conseguir dinheiro emprestado para pagar suas dívidas. Até o ano passado, esse número era de um ou dois atendimentos voltados ao crédito. 

No programa Crédito Retomada, aqui na região, já foram disponibilizados, até o momento, R$ 233.849,96, a microempreendedores individuais (MEI), microempresas e produtores rurais. 

O programa é uma parceria do Sebrae com startups de tecnologia focadas em negócios bancários (fintechs). Startups ou fintechs são pequenas empresas com grande potencial de crescimento em um curto espaço de tempo. 

O processo para pedir o dinheiro é todo digital, com gestão da fintech e operação de dois bancos digitais. Ele vale só no Estado de São Paulo.

Segundo o consultor financeiro do Sebrae na Baixada Santista, Rodrigo Daniel Oliveira Martins, há um desespero, por parte do empresário, para conseguir crédito. O dinheiro é para o básico: capital de giro, ou seja, pagar as contas do dia a dia do negócio.

“Há dois grupos de empresas que estão morrendo, nesse momento de crise: a que já vinha tendo problemas financeiros e as que têm menos de um ano de funcionamento”, diz ele.

No primeiro caso, a empresa já tinha problemas antes da pandemia, muitas vezes já pegou empréstimo anteriormente e viu seu prejuízo ser potencializado. Agora, ela se vê sob risco fechar as portas.

As do segundo tipo não estão tendo fôlego, tanto para conseguir novos clientes quanto para se reinventar. Como são novas, têm dificuldade de acesso ao crédito. 

“Já há estudos dizendo que a economia voltou três anos e as empresas terão que se adaptar. O brasileiro não gosta de guardar dinheiro. A média de capital de giro das empresas brasileiras é de 14 dias somente e muitas vezes esse dinheiro está em forma de estoque”, afirma Martins.

Fazer reserva

Comércio de bens supérfluos e eventos estão entre os tipos de empresas que mais sofreram nessa pandemia, segundo ele. Isso mostra a necessidade de ter reserva para 90 dias daqui para frente como forma de sobrevivência.

“As empresas que voltaram da pandemia têm 30% de seu faturamento de volta, em média, no primeiro mês, para só no terceiro chegar aos 100% novamente”, completa.

Linha Retomada

Na linha Retomada, há juros zero para MEI e produtores rurais e até 0,7% ao mês para micros. Os limites são de até R$ 20 mil para MEI e produtores rurais e até R$ 60 mil para micros. A carência é de seis meses, com parcelamento entre 24 e 42 vezes.

O valor emprestado até agora corresponde à primeira de duas parcelas emprestadas a essas empresas, que devem ter gastos pré-definidos no momento do cadastro. 

Quando as empresas comprovam o uso do recurso (após um mês), eles recebem mais uma parcela, de mesmo valor. Há potencial de R$ 467.699,92 para serem disponibilizados. 

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