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Quarta-feira

5 de Agosto de 2020

Onde investir: Reserva para emergências

A reserva tem duas regras básicas. Essas aplicações precisam ser conservadoras (sem renda variável, porque podem despencar na hora que mais se precisa) e com liquidez (resgate a qualquer momento)

Se você ainda não viu vantagem em ter uma reserva financeira para emergências, poderia estar usando esses recursos agora para as surpresas da pandemia. Caso você tivesse atingido a bolada necessária, por volta de seis vezes a média de suas despesas mensais, teria um semestre inteiro para pensar no que fazer para recuperar seu emprego ou seu dinheiro perdido. 
Mas como se monta uma reserva? Antes defina qual o total a atingir. Por exemplo, se todo – todo mesmo – seu gasto mensal é de R$ 5 mil em média, será preciso poupar R$ 30 mil. Essa multiplicação por seis não é um dogma, apenas uma base. Alguns economistas recomendam três ou até 12. Vai da sua necessidade de segurança, como uma saúde sempre frágil ou crianças ou idosos dependentes de você. 

Só depois disso será hora de montar uma segunda bolada para investir em um viagem, a casa própria, a troca do carro, a universidade dos filhos ou a aposentadoria.

A reserva tem duas regras básicas. Essas aplicações precisam ser conservadoras (sem renda variável, porque podem despencar na hora que mais se precisa) e com liquidez (resgate a qualquer momento).

Sua reserva deve ser feita com renda fixa – caderneta, CDB, fundos DI, RDB, Tesouro Selic (IPCA não) e demais fundos conservadores que permitem resgate em poucos dias. Nada de dólar, fundo cambial, ouro, bitcoin, bolsa, ETF e multimercado. Você deve questionar a coluna por já ter publicado que a caderneta é horrível, que os fundos DI perdem para a inflação e que o Tesouro Selic está no mesmo caminho. Mas reserva é para dar segurança, evitando que se tenha despesas maiores ainda com empréstimos para gastos inesperados com médico, multas do trânsito e até assaltos. Com a queda dos juros, renda fixa hoje é praticamente para sobreviver à inflação. O grande salto vem com a renda variável (ações, moedas, bitcoin, multimercado), mas isso para a segunda etapa (após conquistar sua reserva). 

Mesmo que consiga boa rentabilidade, não se apoie apenas nos juros. Faça sempre depósitos mensais. Se é empregado, calcule quanto pode economizar por mês e agende débito automático no mesmo dia em que recebe o salário. O profissional liberal vai precisar de disciplina para estabelecer o dia do seu depósito. Depois é só deixar os juors compostos trabalharem para você. 

Quanto tempo leva?

Vamos simular quanto você pode ter daqui dois anos e ver se dá para ter uma reserva de R$ 30 mil? Com base no Tesouro Selic, de 0,18% ao mês, aplicando-se R$ 100 a cada 30 dias, serão R$ 2.454. Em cinco anos, R$ 6.341. Se você colocasse de cara R$ 500 mensais, em dois anos seriam R$ 12.273,76. Com os mesmos R$ 500 mensais, o saldo após cinco anos iria a R$ 31.706, atingindo sua meta. Acima desse valor, já dará para buscar investimentos mais arriscados. 

Duas regras 

Tem pouco dinheiro? Comece com R$ 100, R$ 50 ou R$ 30. Não interessa quanto. Mas comece. A bolada vai crescer mais com o depósito mensal (regra número 1 do investidor iniciante) do que com os jurinhos, no diminutivo porque estão baixos mesmo. Também pense no longo prazo (regra número 2), quando há o efeito dos juros compostos. Você já viu como o ano passou voando? Cinco anos parecem muito, mas para as finanças são médio prazo.

Cuidado na bolsa

E se você fosse direto para um fundo de ações? Com R$ 76.923 em 1º de janeiro de 2019, em dezembro seguinte teria R$ 100 mil, um ganho de 30%, a média do Ibovespa. Mas em março, com R$ 100 mil, com a queda da pandemia, perderia 39% e seu saldo cairia para R$ 61 mil em 31 de março. Olha o prejuízo por não ter renda fixa. Mas se tivesse meio a meio (renda fixa/bolsa), esse saldo estaria por volta de R$ 80 mil no mesmo 31 de março – você conseguiu proteger parte do patrimônio. 

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