Onde investir: Reserva antes, risco depois

Conforme o perfil, concentra-se uns 70% do patrimônio em renda fixa e o restante em variável

Investir com segurança, sabendo dosar o risco, e obter boas rentabilidades exigem uma carteira diversificada. Conforme o perfil, concentra-se uns 70% do patrimônio em renda fixa (CDB, LCI, fundos, Tesouro Direto) e o restante em variável (ações, fundo, imobiliário, câmbio, metais, bitcoin) – pode-se alterar os 70% conforme o conservadorismo do investidor. Entretanto, antes de começar a montar essa carteira, faça a reserva de emergência. Deixe as metas de rendimento por enquanto e se dedique a formar um montante para cobrir urgências que cedo ou tarde aparecem, como desemprego, doença (principalmente se trabalhador informal), multa, indenização, assalto e até morte na família. 

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Para saber qual o montante desse reserva, antes calcule o orçamento anual com suas receitas e despesas, estimando mês a mês. Se der resultado negativo (gasta mais do que ganha), obviamente você precisa antes sair do vermelho para depois poder se tornar investidor. 

O tamanho da reserva de emergência é calculado com base na sua média mensal de gastos e suas responsabilidades no núcleo familiar. Se tem dependentes ou outros compromissos que considera prioritários, comece a poupar até atingir 12 vezes as despesas mensais. Se o gasto mensal é de R$ 3 mil em média, a meta de saldo será de R$ 36 mil. Mas se é solteiro ou não tem pessoas que dependam da sua renda ou, por exemplo, não tem risco de demissão, pode juntar seis vezes (R$ 18 mil) ou, menos ainda, três vezes (R$ 9 mil). 

Assim como a reserva de emergência é uma estratégia de segurança, esse investimento precisa estar em produtos de baixíssimo risco e alta liquidez (saque imediato). A melhor opção de todas é Tesouro Selic, que paga perto da taxa Selic, e é mais seguro que qualquer aplicação de banco. Uma instituição financeira pode quebrar, mas o governo, ainda que esteja aos frangalhos, dificilmente vai deixar de pagar aos investidores de seus títulos. 

A meta da reserva não é lucrar, mas ter um dinheiro pronto para ser usado com remuneração superior à inflação. O ruim é que o IPCA tem superado com folga a rentabilidade desses investimentos mais indicados para a reserva, mas a expectativa é que essa situação melhore perto do final do ano, com a alta da taxa Selic e uma acomodação e, quem sabe, queda da inflação. 

Tesouro Selic

Para investir em Tesouro Selic, você precisa abrir conta em corretora, que pode ser a do seu próprio banco, sempre sob o critério de não cobrar taxas de operação. Por volta de R$ 35 já dá para começar. Defina uma média mensal para aplicar, fazendo sempre a compra no mesmo dia em que você recebe seu salário – nada de deixar para aplicar “se sobrar no final do mês”. O rendimento anual está perto de 1,9%. É melhor que poupança, que paga 1,4% ao ano! 

CDB pode?

Muitos investidores investem em CDB para montar a reserva de emergência por renderem mais que poupança ou Tesouro Selic. Mas, quem paga bom CDB são bancos pequenos, o que aumenta o risco de quebra. Um forma de se proteger é ver se a instituição tem cobertura do Fundo Garantidor, o que é provável. Porém, e se houver a insolvência e você precisar da reserva justo na hora em que o FG não começou a pagar os investidores? Por isso, tenha cuidado com CDB para reserva. 

Caderneta de poupança

É fato que a caderneta de poupança perde para a inflação com folga (1,4% ao ano contra 4,56% do IPCA). Para muita gente, essa diferença não conta devido à confiança e o costume de investir na caderneta, que também é usada como reserva de emergência. Porém, se o saldo é pequeno, a vantagem do Tesouro Selic (1,9%) não impressiona. Por exemplo, R$ 1 mil em um ano rendem R$ 14 na caderneta e R$ 19 no Tesouro Selic. Para R$ 50 mil, é diferente (R$ 700 x R$ 950). 

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