Onde investir: Mergulhe nos CDBs

Nesse produto, o banco toma seu dinheiro emprestado em troca de juros. Parece uma aplicação sem graça, mas não – dá para compor bem com ela conforme suas necessidades de investimento

Se você não quer se arriscar na bolsa, mas está inconformado com o rendimento da caderneta de poupança, de mísero 1,575% ao ano, uma forma de melhorar sua rentabilidade é investir em certificados de depósitos bancários (CDB). Nesse produto, o banco toma seu dinheiro emprestado em troca de juros. Parece uma aplicação sem graça, mas não – dá para compor bem com ela conforme suas necessidades de investimento. Antes de comprar um CDB, é preciso decidir por um prefixado ou pós-fixado. O pré já vem com a taxa que você vai receber pelo investimento, por exemplo, de 3% ao ano. Já o pós vem com um percentual ao redor de 100% sobre o indexador, quase sempre o CDI. O CDI é o certificado de depósito bancário, que equivale aos juros cobrados nos empréstimos entre um banco e outro. O CDI usa a Selic como referência e fica um pouco abaixo dela. A Selic está agora a 2,25% ao ano e o CDI, a 2,15%. Se um CDB é oferecido a 110% do CDI, pagará 2,365% ao ano de taxa ao investidor. Se outro CDB anuncia 87%, o rendimento será de 1,8705% ao ano. Mas, cuidado, esses cálculos se baseiam no CDI deste momento. Se o CDI mudar, devido à variação da Selic, o retorno do CDB pós também será outro. 

Por isso, escolhe-se um CDB pré ou pós conforme a estratégia do investidor e as tendências da economia. Se os iuros tendem a cair, o pré se torna interessante, porque se fixa uma taxa em patamar mais elevado. O pós pode ser atraente se há uma expectativa de alta do CDI. Na prática, quem age pensando nesses movimentos especula, o que é recomendável para os que entendem do mercado ou têm consultoria com um bom gerente de banco ou agente de corretora. 

O mais recomendável é utilizar o CDB conforme sua necessidade, que é uma reserva mais conservadora. Se precisa de previsibilidade – não quer ser surpreendido – e abre mão de um ganho mais alto em nome da segurança, o melhor mesmo é o CDB pré por prazos médios e longos, acima de um ano e meio ou mais para saque. Para resgate no curto prazo, antes de um ano e meio, dá para arriscar mais e o pós fica mais interessante. 

Dica: para comprar um CDB, você não precisa ter conta no banco. Portanto, não se prenda ao que seu gerente te oferecer. Regra geral: bancos grandes pagam pouco por CDB; bancos pequenos, bem mais. 

Fundo Garantidor

Ao investir em CDB, principalmente de banco pequeno, cobre o Fundo Garantidor (FG). Em caso de quebra da instituição, o FG pagará até R$ 250 mil por CPF. Se o investidor tiver outra aplicação no banco, o FG vai somar as duas para pagar até R$ 250 mil. O FG é importante porque essas instituições de menor porte dão juros mais altos que os dos bancões por terem mais dificuldade de acesso a capitais. Desconfie em quem pagar muito, muito acima dos concorrentes.

Mais liquidez, juro menor

CDB que tem liquidez diária (resgate a qualquer momento) vai sempre pagar menos que o de liquidez no vencimento (saque só na data final). Outra desvantagem é a tributação. Se o saque for feito nos primeiros 30 dias da aplicação, haverá IOF a partir de 96% sobre a rentabilidade, que cai a zero após o 30º dia. Há ainda o Imposto de Renda: de 22,5% para até 180 dias aplicados, de 20% para 181 até 360, de 17,5% (361 a 720) e de 15% acima de 721. 

Confira exemplos

Com liquidez diária, o buscador Yubb mostra como melhor CDB o da Sofisa, com 108% do CDI (hoje seriam 2,59% ao ano). Só no vencimento (12 meses), o mais atraente é o da Arbi, vendido pela Órama, com 4,5% prefixados. Também no vencimento, a Avista tem pós-fixado com 140% do CDI (hoje 3,41%). Para 24 meses, a Máxima/Órama paga 7% ao ano e a Sofisa, 110% do CDI (3,82% ao ano). Para 30 meses, a Máxima tem a 8,01% ao ano e a Avista, 141% do CDI (hoje 8,65%). 

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