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Quinta-feira

4 de Junho de 2020

Onde Investir: Cautela no Bolso

Segundo alguns operadores mais experientes, ainda há chances de novas quedas acentuadas das bolsas

Enquanto muitos investidores se empolgam com a aparente calmaria do mercado, operadores mais experientes só falam em cautela, necessidade de diversificar e, segundo alguns, do risco de novas quedas acentuadas das bolsas. A volatilidade diária como resultado das notícias da ocasião, como as surpresas de Brasília, é bem comum. Mas há instabilidades originadas da incerteza. Ainda não dá para saber se a recessão mundial vai demorar ou será aguda e rápida (cai muito, mas se recupera logo). Por isso, o ideal é montar uma estratégia resiliente, jargão que os analistas passaram a usar muito nos últimos meses. 

Ser resiliente permite resistir às pressões ao mesmo tempo em que se adapta às novas condições. Mas o que isso significa na bolsa? Observe o Porto de Santos. Em plena crise, continua batendo recordes de movimentação. Ele atende empresas que processam alimentos ou transportam commodities e tendem a atravessar períodos difíceis sem grandes perdas. É o caso da Rumo, que cuida da logística da soja até o Litoral, e da BRF e frigoríficos (Marfrig, JBS, Minerva). As carnes que estão cada vez mais presentes na mesa dos chineses. 

Há também outras empresas resilientes na bolsa, como distribuidoras de energia. No caso desse segmento, a pandemia causou aumento preocupante da inadimplência, o que vai até exigir algum socorro do governo. O que preocupa é que a conta de luz é a última despesa a sofrer calote por ser um bem essencial. Talvez a suspensão dos cortes durante três meses esteja por trás da alta dos inadimplentes. Entretanto, passado esse momento agudo, é possível que essas elétricas, que costumam pagar bons dividendos (distribuição de lucros), voltem a ser ações interessantes em momentos de recessão. 

O segmento bancário tem uma aparente resiliência. Emprestam quando a economia cresce ou socorrem o cliente na crise. Mas este setor vive inquietações - o principal é o cerco das fintechs, startups financeiras com produtos novos e baratos. Há ainda as moedas digitais, com operações quase sem custo. É para evitar bancos? Ou siderúrgicas, varejistas e construtoras? Não. Mas faça uma carteira variada, misturando empresas com características diversificadas. Se o mercado cair, é possível que as resilientes segurem as pontas.

Renda fixa resiliente

E como fica a resiliência na renda fixa? Evite deixar tudo numa aplicação só, como a caderneta. Ele rende apenas 2,1% ao ano, uma das piores do mercado. Já os fundos DI compensam se a taxa de administração é zero. Que tal fazer uma combinação entre Tesouro Selic (pagam quase o mesmo da taxa básica) e CDBs e LCIs com boas liquidez? Há CDBs e LCIs que permitem o resgate em um ano. Cuidado, não vá prender dinheiro que deve ficar livre para emergências. 

Imóveis para alugar

Crises vão e voltam, mas a necessidade por moradia continua. Com grana curta e novos costumes minimalistas (espaços pequenos e poucos móveis), que tal investir na locação de imóveis pequenos bem localizados e sem necessidade de grandes reformas? Com constantes separações, jovens independentes e idosos que procuram moradias que não dão trabalho, viver de aluguel é viável para muita gente. Nas crises, é mais provável achar pechinchas para comprar. 

Meta para comprar

Adora umas comprinhas, mas eles vivem bagunçando suas contas? Faça seu orçamento para o mês, veja suas receitas e despesas e, conforme as possibilidades, defina um valor só para shopping (agora, loja on-line) e gastos do tipo. Já saia de casa sabendo quanto você tem para consumir. Assim, você consegue preservar aquela parte que pretendia poupar e também realiza pequenos sonhos consumistas. A ideia é manter sempre a disciplina e resistir às tentações. 

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