Onde investir: Bancos, lojas e Petrobras

as apostas das corretoras indicam uma correção frente a um conturbado 2020, quando e-commerce ou tecnologia e commodities foram beneficiados na pandemia

Vale, com 14 citações e B3 e Petrobras (PETR4), com 12 cada, são as ações mais recomendadas para janeiro pelos analistas de 22 corretoras, com base na seleção do site financeiro ADVFN e contagem relatório a relatório pelo colunista – são 84 citadas pelo menos uma vez. O ranking inclui ainda Banco do Brasil e Via Varejo (oito cada, Gerdau (sete), Itaú Unibanco (seis), Renner (cinco) e Magalu e Itaúsa (quatro). 

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Essas ações não podem ser vistas como recomendação de compra, pois cada corretora desenvolve suas teses e o melhor é consultar seu analista ou estudar algumas dessas empresas daqui para frente. 

Observando esse conjunto de dez empresas, as apostas das corretoras indicam uma correção frente a um conturbado 2020, quando e-commerce ou tecnologia e commodities (exportadoras, faturaram com a alta do dólar) foram beneficiados na pandemia. No ano passado, empresas prejudicadas pelo isolamento social, principalmente de março a junho, sofreram desvalorização, como Petrobras (petróleo caiu devido ao baixo consumo), bancos (risco de calote) e lojas físicas (Renner). 
Agora, há uma inversão, com os analistas considerando muito desvalorizadas companhias atraentes que devem ser beneficiadas pelas campanhas de vacinação, como bancos, petróleo, lojas físicas e shoppings. 

O mais curioso é observar o desempenho acumulado (últimos 12 meses, terminando em 12/jan) de cada uma delas. Entre as que já subiram, Vale ostenta 86%, Magalu, 78%, B3, 45%, Suzano, 36%, Gerdau, 26% e Via Varejo, 19%. Petrobras, que apanhou muito depois de ser depenada pela corrupção e também na pandemia, ficou estável (0,99%). Ainda estão negativas Renner (-27%), Banco do Brasil (-18%), Bradesco (-12%), Itaúsa (-7%) e Itaú Unibanco (-4%).

O investidor deve ficar atento que este semestre também está ameaçado por surpresas, como a vacinação ser conturbada por falhas do governo e quais serão os resultados nas eleições dos comandos das duas casas do Congresso e como o Palácio do Planalto vai reagir. Falta ainda descobrir qual o real impacto do fim do auxílio emergencial e se o desemprego vai disparar ou avançar de forma moderada. Será uma preparação para o segundo semestre – se o primeiro for turbulento, algo de ruim poderá respingar no seguinte, retardando a retomada e trazendo muitas frustrações. 

Brilho da B3

A ação da B3, que é a mais recente denominação da antiga BM&FBovespa, sempre atraiu as atenções dos analistas, ganhando mais brilho nas últimas semanas. O atrativo é se tratar de um monopólio. Não há uma bolsa concorrente e a chegada de algum competidor, como foi aventado, não se consumou. Além disso, aberturas de capital (IPOs), a disparada dos investidores pessoa física e a volta dos gringos reforçaram as expectativas com a B3. 

Banco e mais bancos

Na pandemia, os bancos subiram provisões, reserva para eventuais calotes, o que derrubou o lucro e frustrou caçadores de dividendos. Assim, os bancos se desvalorizaram. Além disso, os bancos enfrentam as fintechs, startups inovadoras que podem comer os bancões pelas bordas, ou novas soluções, como o Pix. Os calotes vieram abaixo do esperado e a economia melhorou, o que elevou as apostas nas ações dos bancos. Falta saber o impacto do Pix e das fintechs.

Difícil gostar de estatal

Há estatais atraentes no momento, como Petrobras, Banco do Brasil e companhias estaduais de saneamento (Sabesp, Copasa, Sanepar). São empresas monopolistas e pagadoras de dividendos e até bem administradas. Mas há um problema em comum: são estatais. Elas ficam sujeitas ao humor dos governantes. Por exemplo, na quarta-feira Bolsonaro decidiu demitir o CEO do BB devido ao fechamento de agências. E da Petrobras o histórico é de interferência política. 

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