Onde investir: Antes, conheça o terreno

Seja qual for sua escolha, compreenda o que pretende fazer e onde vai se meter

Em um live do jornal Valor realizada na semana passada, o especialista em fundos Marcelo D’Agosto, um dos nomes mais conceituados do mercado brasileiro, deu uma recomendação valiosa. Seja qual for sua escolha, compreenda o que pretende fazer e onde vai se meter. 

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Por isso, se vai diversificar e assumir algum risco, como multi mercado, moedas e ações, estude como esses mercados funcionam e sinta um gostinho de como eles se comportam. O acesso a conhecimento hoje é bem fácil, está todo na internet. Para experimentar na prática, houve uma democratização bem intensa. Dá para investir em Tesouro Direto a partir de uns R$ 35 e fundos imobiliários entre R$ 80 e R$ 100, ingressar em fundos de renda fixa com R$ 100 e até comprar uma só ação por menos de R$ 10. Até ouro, se for por meio de contratos ou fundos, o acesso ficou fácil. Com R$ 50, já se consegue adquirir bitcoin em corretora confiável. No caso do dólar, basta ir a uma casa de câmbio ou investir em fundo cambial, que também não é caro.

Meses atrás, um leitor escreveu para a coluna, achando que o banco desviava o dinheiro dele, porque o saldo do fundo tinha encolhido. Era começo deste ano e o segmento de títulos privados realizava uma intensa marcação a mercado. Como havia expectativa de alta dos juros futuros, os papéis das carteiras perderam valor, o que impôs aos gestores a revisão de suas operações. Depois houve uma calmaria, veio a confusão da pandemia, que atingiu mais as bolsas, e agora, com a deterioração das contas públicas, os grandes investidores evitam renovar as compras de títulos do Tesouro porque acham que os juros estão muito baixos. Por isso, o pequeno investidor amarga perdas. Esse, por exemplo, é um pequeno pedaço do mercado que vale a pena entender. Com conhecimento prévio, ainda que pouco (não precisa ser expert, só renovar a leitura), muita gente não teria desfeito seus investimentos.

A coluna também acompanhou live do Santander, com gestores contando que muita gente se desfez da previdência privada assim que ocorreram as primeiras quedas em setembro. Perderam anos de rentabilidade acumulada, pagando tributação antes da hora, entre outras vantagens que esse produto oferece. Ao investir, entenda cada passo que você vai dar. É melhor ficar parado, do que agir sem saber o que se faz.

Mergulho de 47% 

Nos momentos de pânico na bolsa, entre março e abril, os analistas mais experientes recomendaram esperar a turbulência parar. Mas muita gente se apavorou e vendeu suas ações com quedas de 30%, 40% ou até 80%, como foi no caso das aéreas. Em 23 de janeiro, o Ibovespa estava a 119mil pontos, mas foi ao fundo do poço, a 63mil exatos dois meses depois (queda de 47%). Quem vendeu afobado, perdeu isso tudo. Quem esperou, se recupera aos poucos.

Alta de 186%! 

Os investidores mais experientes também recomendam procurar pechinchas nas grandes quedas – ações ou fundos que, dissipado o pânico e o nevoeiro, vão se recuperar. Desde 23 de março, o Ibovespa já subiu 52%. Quem aproveitou, faturou até mais que isso, se tiver acertado as ações. Por exemplo, a Weg, cuja ação valia R$ 26 em 18 de março, no último dia 16 atingiu R$ 82, uma alta de 186%! Mas nem tudo vale a pena. Pesquise ou siga as recomendações das corretoras.

Diversificar é indispensável 

Admite-se que acertar com uma ação (barata e que vai subir bastante) não é fácil. É preciso estudar e procurar orientação. Porém, o mais prático é diversificar – perde-se de um lado, compensa-se como ganho do outro. Na renda fixa, procure produtos que seguem o CDI ou inflação (fundos ou títulos de IPCA). Por exemplo, os juros estão baixos, mas a inflação subiu. Dá ganhar ainda que temporariamente. Na bolsa, escolha setores diferentes, como varejo e bancos. 

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