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Sábado

24 de Agosto de 2019

Fundo de ações é primeiro passo para quem quer descobrir a bolsa

Aplicação proporciona melhor rentabilidade que poupança e Tesouro Direto, mas amplia risco e exige conhecimento do mercado

Investidores que buscarem melhor rentabilidade neste semestre terão que se aventurar fora da renda fixa (poupança, CDB, Tesouro Direto, fundos DI). Para isso, terão que se sujeitar ao risco (podem render menos do que se esperava e até ficar negativo) e entrar em mercados desconhecidos, como é o caso da bolsa.

Para minimizar riscos e investir onde pouco se conhece, uma forma para isso é terceirizar a gestão de seus recursos, aplicando em fundos. Neste momento, favorável à bolsa, o de ações se torna atraente. 

A economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianotto, afirma que quem busca o curto prazo, tende a aplicar na poupança, um produto basicamente para reserva (para emergências e de saque imediato). Já a renda variável (bolsa) é adequada para quem pensa no longo prazo.

Muitos investidores pensam que a bolsa é ideal só para o especulador que fatura ao sabor dos vaivéns diários do mercado. Entretanto, o recomendável é montar uma carteira e revisá-la ao longo do tempo. 
A escolha das ações depende de consultoria que nem todos podem pagar. A solução é pesquisar um fundo de ações. 

Se ele tiver boa rentabilidade, compensará custos que a caderneta não tem, como taxa de administração e Imposto de Renda de 15% sobre o lucro.

Por exemplo, se o poupador investe R$ 1 mil em um fundo de ações, que em um período renderá 10% (R$ 100, somando R$ 1,1 mil), pagará 15% de IR sobre o rendimento (pagando R$ 15). Considerando só o líquido, a rentabilidade foi de 8,5% sem incluir a taxa de administração, que pode ser de 1%, 2% ou mais. 

Fundo garantidor

Esses fundos exigem outros cuidados. Um deles, alerta Simone, é que não têm cobertura do Fundo Garantidor. O FG é uma espécie de fundo que garante até R$ 250 mil por CPF se o banco quebrar.

No caso do fundo de ações, o risco está na possibilidade da ação virar pó, uma situação extrema. Lembre-se de empresas importantes que sumiram do mapa, como a Varig.

Diversificação

O investidor do fundo de ações precisa se informar sobre a composição da carteira. Ela pode ser diversificada, mitigando os riscos, com bancos, petrolífera, mineração, varejo ou ensino.

Há ainda os que investem em papéis de um mesmo setor, afinal é possível entrar em vários fundos ao mesmo tempo, porque alguns deles cobram aplicação mínima de R$ 500,00. Outros são bem mais caros, como R$ 100 mil.

“O fundo de ações é a possibilidade do investidor diversificar”, afirma Simone. “Quem pretende atingir uma melhor rentabilidade precisa tomar maior risco, mas não é preciso colocar todos os ovos na mesma cesta”, conclui.

Rendimento nem sempre se repete

No mercado do fundo de ações, o importante é contar com um gestor eficiente. O problema é que o passado recente de alta não significa uma rentabilidade daqui para frente. Por isso, não se iluda com a propaganda de quem teve bom desempenho. 

“Se deu 24% de rendimento antes, não significa que terá 24% de novo”, afirma a economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianotto. 

Ela recomenda investir em um fundo emitido por entidade consolidada. Nem sempre a emissão foi feito por um banco famoso. Uma das dicas é perguntar pela nota de rating, emitida por agências de avaliação especializadas. 

“Se informe bastante, mas não vá atrás do conselho de amigos”, diz ela.

De qualquer forma, não faça mergulhos profundos se não conhece o mercado de fundos ou de ações. Comece aos poucos e veja se você suporta as fortes emoções, quando o mundo financeiro se sacode após falas descontroladas do presidente Jair Bolsonaro ou impactos vindos da Casa Branca.