Evite problemas com cartões de crédito

Uso em caso de necessidade é um caminho para não se endividar

Os cartões de crédito são vistos por alguns como a salvação no fim do mês e por outros como apenas mais uma facilidade. Mas o fato é que podem se tornar vilões rumo ao endividamento. Eles até abrem portas, mas sem o devido cuidado algumas delas levam direto a um poço sem fundo. Por isso, especialistas em Economia afirmam que o melhor é ter só uma opção em mãos e com limite de 30% da renda mensal.

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A recomendação a quem não consegue se controlar é evitar o uso do cartão para cobrir gastos com transporte e compras de alimentos e combustíveis. “Se você tiver as contas sob controle e quitar a fatura do cartão integralmente, não há problema. Agora, se a opção é pelo pagamento mínimo da fatura, esses gastos podem virar uma bola de neve. É aí que a maior parte das pessoas se endivida”, diz o economista André Galhardo.

Recomendação

Para o economista, há uma relação entre nível salarial e limite do cartão, que deve ser em torno de 30% da renda para aqueles que não conseguem honrar as dívidas da fatura. “Porém, outras variáveis estão em jogo, como a quantidade de dívidas não honradas do postulante ao cartão e a capacidade de pagamento do usuário. O banco, nesse caso, não dará crédito de mesmo valor que o seu salário, caso você ainda não tenha histórico de crédito”.

O ideal é pagar à vista. Mas, se for parcelar, a primeira observação é analisar as taxas de juros do produto que está na lista de desejos. “É bom observar também o preço dele, pois as taxas podem já estar incluídas no preço”.

Na prática

Entre uma parcela menor e mais longeva ou parcelas maiores mais curtas, faça-se uma pergunta: a opção por menos parcelas vai comprometer um percentual relevante da sua renda? Caso a resposta seja sim, é melhor optar pelo parcelamento prolongado. Se o bem que o consumidor deseja adquirir é de primeira necessidade e a renda está comprometida, a opção por mais parcelas pode ser interessante.

“As pessoas tendem a agir por impulso e comprometer o futuro com escolhas impensadas no curto prazo. Ter vários cartões pode trazer dificuldades de gestão às finanças”

É o que faz a jornalista Alyne Souza, de 31 anos. Ela sempre manteve as contas em ordem e, para isso, define um limite que ela própria estipulou. “Uso o cartão em caso de necessidade. Estabeleço um limite por mês e mantenho uma planilha”, conta ela, que não parcela compras de forma alguma.

Advogado dá dicas

Com a capacidade de consumo reduzida devido à pandemia, é preciso ter ainda mais atenção ao cartão de crédito, evitar cobranças indevidas e fazer de tudo para manter seu nome limpo. O alerta é do advogado Guilherme de Oliveira. Em primeiro lugar, deve-se verificar se o parcelamento é uma boa alternativa. Caso ele não esteja disponível ou você discorde dos encargos cobrados, pode tentar renegociar o percentual dos juros por meio dos canais de atendimento dos bancos e administradoras de cartão de crédito.

“Existem plataformas dedicadas a solucionar disputas que envolvam direitos disponíveis, aqueles em que podemos negociar sem necessidade de intervenção do Poder Judiciário. Trata-se de um tipo de serviço crescente em nosso País e que tem ajudado muitas pessoas a saírem do vermelho”. Entre as principais plataformas do tipo, ele indica a Acordos Brasil, Mediação Online e Sem Processo. Se não houver acordo fora do Judiciário, há a alternativa de protocolar uma ação.

“Entretanto, é importante ressaltar que, normalmente, esse tipo de movimentação requer a produção de prova pericial, o que afasta a competência dos Juizados Especiais Cíveis, que cuidam apenas de ações de menor complexidade. Neste caso, a pessoa deverá contratar um advogado especialista para avaliar a situação”.

 

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