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Domingo

9 de Agosto de 2020

Empreendedores da Baixada Santista aceleram mergulho no mundo on-line

Digitalização, que ingressava lentamente nos negócios, avançou com início da Covid-19

As vendas pela internet têm sido a válvula de escape para muitos empreendedores desde que a quarentena começou em março. Seja através de canais on-line, via marketplaces, ou por conta própria, empresários investem nesse segmento, que está conseguindo surfar na onda da crise e manter números positivos nas vendas. 

Os marketplaces são portais como Lojas Americanas, Magalu e Mercado Livre, que oferecem estrutura tecnológica e acesso a clientela de dimensões nacionais. 

A pesquisa Vender em Marketplaces 2020, conduzida pela startup Olist com 350 empresários de todo o País, mostra que 71% dos empreendedores já estavam em marketplaces. Os que não estavam eram 26%, mas muitos planejavam integrar essas plataformas.

Do total, 84% estão integrados ao Simples Nacional, regime de vantagens tributárias para empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões, ou são microempreendedores individuais (MEIs, com faturamento anual de até R$ 81 mil). 

Esses empreendedores usam plataformas, como a própria Olist (22%), e-commerce próprio (17,4%) ou redes sociais (16%) para vender na pandemia.

Segundo o consultor de Negócios do Sebrae, César Ossamu, os donos de pequenos empreendimentos da região aderem aos poucos ao e-commerce. “O que tenho percebido é que muitos empresários, antes de migrar para o marketplace propriamente dito, têm aumentado a interação via rede social, WhatsApp ou Telegram”.

O estudo sobre impacto da pandemia de coronavírus aponta que 52% das MEIs só sobrevivem de maneira física. Entre os pequenos negócios, esse índice é de 44%. “Esse questionamento está fazendo com que eles vejam qual das formas que funciona melhor”, reforça Ossamu.

O consultor diz que uma das dificuldades é o domínio da tecnologia, além de saber quais são os marketplaces indicados para eles. 

Na pandemia, hora de mudar foco

O empresário Thiago Araújo, de 27 anos, mudou totalmente seu foco nos negócios. A Nosso Bolo, que funciona há três anos no Boqueirão, em Santos, vendia doces e salgados, além de almoço nos finais de semana, na loja física. A ideia surgiu principalmente por apoio do seu cunhado, Mário Francisco Junior. "Sou muito grato a ele", reforça Araújo.

Após a consulta ao Sebrae, ele percebeu que teria que investir em canais digitais e se transformar num delivery.

“Nosso cliente estava tendo dificuldade, então pensamos que algo teria que mudar, porque, sem isso, corríamos o risco de fechar. Mudamos o nome para captar novos clientes”, afirma ele. O negócio passou a se chamar Cozinha.

Mesmo com a queda de 30% na pandemia, ele passou a fazer almoços diários e investiu em marketing digital para captar público não só no bairro, mas em toda a Orla.

Para conseguir vender as marmitas, utilizou um site de vendas que permite a escolha do produto sem precisar de cadastro, enviando o pedido através do WhatsApp. “Esse alinhamento entre o canal da venda e o canal com o cliente foi fundamental”.

A ideia é investir nas entregas, chegando à Zona Noroeste, onde a loja começou a funcionar, antes de ir para o Boqueirão, conta Araújo, que trabalha ao lado da mulher Jeniffer Coutinho, de 29 anos.

No caso dos empresários Brunna Miguel Venturin e Cauê Venturin, ambos de 30 anos, o foco vai mudar. Donos do Taquitos Beer, em Santos, eles já tinham um canal de vendas por aplicativo, mas 60% do faturamento saíam da loja física.

Eles criaram um cardápio on-line para alavancar o negócio e devem investir ainda mais nessa área.

“Não imagino pessoas saindo para o consumo com o vírus ainda em larga escala de contágio. Mesmo que haja a flexibilização do comércio, acredito que ainda iremos adiar a volta, principalmente pela segurança dos funcionários, nossa família e clientes”, diz Brunna.

Plataforma de varejo dobra adesão de lojas

As vendas on-line representam 10% do varejo, segundo o sócio da Vtex, Felipe Dellacqua, presidente da Associação Brasileira de E-commerce Cross-Border (Abecom-cb). No ano passado, o on-line representava 4% do varejo. Essa tendência é mundial, diz ele. Na Europa são 15% e nos EUA, 27%.

Para Dellacqua, era questão de tempo o ingresso de pequenos negócios em canais on-line, mas a pandemia acelerou esse processo. 

Pesquisa da plataforma de vendas Loja Integrada mostrou que a entrada de pequenos negócios no canal, na região, cresceu de 80 em janeiro para 153 em abril. 

“Nessas entradas estão os comércios de bairro, que tiveram um crescimento gigantesco. São os comércios tradicionais, em sua maioria MEIs, como bancas, açougues, lojinhas de informática, onde, geralmente, a família toda trabalha e havia pouca digitalização”.

O presidente da Abecom-cb aponta que “a crise trouxe um legado de digitalização e otimização dos negócios. O consumidor< descobriu que pode comprar on-line, principalmente o da Terceira Idade e as classes mais pobres”, diz.

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