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Quarta-feira

5 de Agosto de 2020

Empréstimo consignado pode virar armadilha para aposentados e pensionistas

INSS muda regras, mas há risco de facilidades acelerarem o caminho para o endividamento

As novas regras para o crédito consignado já estão valendo. Com isso, aposentados e pensionistas do INSS têm acesso facilitado ao empréstimo. A medida foi adotada por conta da pandemia da Covid-19 e, segundo o Governo Federal, valerá até 31 de dezembro, quando o decreto federal de calamidade pública perderá a validade. Contudo, a facilidade de acesso ao crédito pode colaborar para o endividamento.

Uma das principais alterações é a permissão do desbloqueio para a solicitação do consignado pelo segurado em até 30 dias após a concessão do benefício. Mas, nesse caso, será obrigatório apresentar pré-autorização digitalizada e enviada ao INSS pela internet. O documento é indispensável para que as informações do segurado fiquem acessíveis aos bancos.

Outra medida dá fôlego ao bolso dos segurados. Quem fechar um contrato agora poderá pedir um prazo de 90 dias para pagar a primeira prestação. “Essa carência pode ajudar em momentos de dificuldades”, explica o diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira.

Ele ressalta, no entanto, que as pessoas devem ficar atentas, pois haverá a incidência de juros sobre o período em que as parcelas não forem descontadas. “Porque os juros sempre são calculados sobre o saldo devedor. De qualquer forma, a medida é boa e os juros do consignado são baixos”.

Mais dinheiro

A norma também permite que o limite máximo concedido no cartão de crédito para o pagamento de despesas contraídas com a finalidade de compras e saques passe de 1,4 vezes o salário para 1,6 vezes o valor mensal do benefício.

Ou seja, a cada R$ 1 mil de valor de benefício, o segurado poderá realizar operações de até R$ 1.600,00, informa o INSS. Esse limite, ao contrário das outras duas medidas, valerá definitivamente.

Cuidados

Para especialistas em Economia, a medida atenderá a muitos segurados que estão com a situação financeira ainda mais apertada – mesmo os aposentados e pensionistas que não tiveram redução em seus rendimentos. 

“Muitas vezes, eles acabam ajudando filhos e netos, porque a economia está devagar e vai continuar assim até o ano que vem. Contudo, é preciso atenção porque muitos já vêm de uma situação de endividamento e pode virar uma bola de neve”, diz o professor e administrador financeiro Márcio Colmenero. 

A dica é buscar o consignado em situação de emergência ou para troca de dívidas com juros maiores. “O consignado tem um problema: não há como postergar o pagamento, porque vem descontado direto no benefício. Diferentemente de um empréstimo tradicional, no qual, se você se apertar, não paga e a única consequência é ficar com o nome sujo”, alerta Oliveira.

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