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Sexta-feira

19 de Julho de 2019

Dólar volta a superar R$ 3,80 com fortalecimento no exterior

Após valor desta sexta-feira (5), mercado volta as atenções para a possível votação da reforma da Previdência

O dólar voltou nesta sexta-feira (5) a operar acima do nível de R$ 3,80, acompanhando o fortalecimento da moeda americana no exterior e a prudência dos investidores antes do feriado prolongado em São Paulo, que optaram por buscar proteção na moeda americana. A divisa subiu 0,49%, mas acumulou queda de 0,58% na semana, encerrando o dia em R$ 3,8181. As atenções agora se voltam para a possível votação da reforma da Previdência no plenário da Câmara, na semana que vem. 

O dólar subiu fortemente ante moedas de países desenvolvidos, como o euro e a libra, em ritmo até maior que a valorização perante emergentes. A razão é que o relatório mensal de emprego dos Estados Unidos veio melhor que o esperado e reduziu a aposta de corte mais intenso de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Aqui, na máxima, o dólar à vista foi a R$ 3,83, mas a alta perdeu um pouco de fôlego na parte da tarde. 

Para o analista da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, após o dólar cair quinta-feira (4) para os menores níveis desde março, era esperado um ajuste nesta sexta no câmbio. O relatório de emprego nos EUA contribuiu para este movimento ao fortalecer o dólar no exterior. Além disso, o feriado em São Paulo, principal praça para negócios no câmbio do Brasil, enquanto o exterior funciona normalmente, deixa os agentes mais cautelosos. "Muitos preferem não participar do mercado, outros participam, mas tomam menos risco", diz ele.

Sobre a Previdência, Arbetman observa que o mercado aposta na aprovação no plenário da Câmara antes do recesso parlamentar. Caso a votação fique para agosto, o mercado pode ficar estressado, ressalta ele. Mas, mesmo com o avanço, o espaço para queda da moeda americana não é muito grande, avalia o analista da Ativa Investimentos, ressaltando que o exterior tem ambiente desafiador: desaceleração nas economias da zona do euro, na China e ainda dúvidas sobre a relação comercial entre EUA e Pequim. Os analistas da consultoria MCM também destacam que enquanto o mercado doméstico pode abrir "mais algum espaço" para valorização do real nos próximos meses, o exterior parece apontar na direção oposta.

O Bradesco manteve hoje a projeção do dólar para o fim do ano em R$ 3,80, mas vê chance de "certa apreciação nos próximos meses". Em relatório, o banco destaca que a consolidação de um cenário de maior liquidez internacional, por conta da perspectiva de cortes de juros nos países desenvolvidos, permitiu que o real apresentasse uma "trajetória alinhada com o movimento médio de seus pares". Do lado doméstico, houve "avanço relevante" na tramitação da Previdência. "Como o crescimento segue frustrando e os juros estão em queda, o potencial de apreciação é limitado no curto prazo".