Consumo na região movimenta R$ 52 bilhões

Apesar da alta, pandemia modificou gastos

Mesmo com a pandemia de coronavírus, a Baixada Santista viu seu potencial de consumo aumentar em 4,45% este ano, em comparação com 2019. Em 2020, a região deve movimentar R$ 52 bilhões – no ano passado, foram R$ 50 bilhões. 

Os dados são da pesquisa IPC Maps 2020, publicada anualmente pela IPC Marketing Editora. O levantamento é feito com base em dados oficiais e mostra o potencial de consumo dos 5.570 cidades detalhado em 22 itens da economia, como gastos com veículos, roupas, transporte, entre outros. Esses dados são subdivididos por classes sociais, sexo e idade. 

O share, a participação de cada município na economia brasileira, da Baixada aumentou, saindo de 1,06% no ano passado para 1,16% agora, revelando uma tendência de aumento das regiões metropolitanas sobre as Capitais.

De acordo com o mesmo estudo, as capitais representam 28,29% desse mercado este ano. Enquanto isso, o interior avança com 54,8%, bem como as regiões metropolitanas, cujo desempenho equivalerá a 16,9%. 

Entre os tipos de gastos que contribuíram para esta alta no potencial de consumo na região, três chamam atenção. O de gastos com veículos próprios aumentou 132% em relação ao ano passado. Os de higiene e cuidados pessoais cresceram 50% em comparação com 2019 e na construção civil a subida foi de 32,4%. 

Por outro lado, há setores que seguraram a alta no potencial de gastos da Baixada. Entre eles, estão os com transporte urbano (ônibus), que caíram 51,6%, e depois os com alimentação. 

Segundo o sócio da IPC Marketing Editora e responsável pela pesquisa, Marcos Pazzini, os dados da Baixada vão na contramão da média nacional, que registrou a maior queda no potencial de consumo desde 1995: -5,39% em relação a 2019, com movimentação na economia de R$ 4,465 trilhões este ano. 

“Os dados mostram que a Baixada sentiu os efeitos da pandemia, mas em comparação a outras regiões essa queda foi menor”, diz. 

Ainda de acordo com a pesquisa, houve variação em todas as classes sociais na região em relação ao ano passado. A classe A viu sua participação cair. Em 2019 eram 17.712 domicílios na classe A na região contra 16.687 agora, uma queda de 6,1%. 

Ainda assim, segundo Pazzini, os gastos da classe A aumentaram. Com veículos próprios, por exemplo, mais que dobraram. O salto nessa categoria foi de 120,2% em relação ao que foi gasto em 2019. 

A pandemia também fez a classe A gastar muito mais com comida em casa, com aumento de 9,7% em relação ao ano passado. 

No caso da classe D/E houve migração para a C, que saiu de 330.349 domicílios em 2019 para 339.075 neste ano. “No entanto, a classe C que ascendeu trouxe um valor mais baixo que a média da classe, tanto que o consumo da classe C é ligeiramente menor que 2019”, afirma. 

Migração entre classes

De acordo com o economista Jorge Manuel de Souza Ferreira, a grande quantidade de aposentados e pensionistas na região ajuda a dar certa estabilidade na divisão de classes, mas ele ressalta que a perda da classe A foi significativa, se comparados os dados do ano passado.

“Somado a este efeito, houve a antecipação do 13° salário que injetou mais recursos. Mas não podemos desconsiderar o auxílio emergencial com grande efeito na ascensão de classes E/D para C e assim sucessivamente”, destaca.

O pesquisador da IPCMaps, Marcos Pazzini, no entanto, acredita que as variações entre as classes sociais estão mais ligadas à perda de empregos e fechamento ou abertura de empresas que ao fato de haver mais idosos e pensionistas na região. 

Isolamento reduz compra de roupas

A pesquisa mostrou onde é que as pessoas devem gastar mais e em quais áreas, como alimentação, vestuário, educação e livros, entre outros. 

Duas quedas chamam atenção: calçados, que perdem 29% de consumo em relação a 2019 e vestuário, cujos gastos serão 25% menores neste ano. 

Segundo o pesquisador Marcos Pazzini, as quedas estão ligadas diretamente à quarentena. “Esses setores sentiram bem a pandemia porque ficaram meses fechados. A maioria das pessoas não possui o hábito de comprar roupas por delivery, que foi a opção que sobrou para estes lojistas com o fechamento do comércio”, diz Pazzini. 

Outra categoria que mostra uma mudança nos tipos de gastos são os transportes. O uso de carros por aplicativo é o que explica o salto com veículos próprios e a queda em transportes urbanos, segundo Pazzini. “Todos os gastos com o carro, próprio ou alugado, para servir aos aplicativos e as pessoas deixando de usar ônibus entram nessa análise”, afirma ele. 

Segundo o pesquisador, no caso das classes D/E, um dos fatores também pode ser explicado pela opção de veículos. “Muitos dessas pessoas fazem as contas e percebem que podem comprar motos, tornando mais viáveis que os próprios transportes públicos”. 

A construção é um dos segmentos que se esquivaram da crise da pandemia, com aumento de 32,4% no potencial de consumo. Para Pazzini, além dos possíveis gastos com reformas dentro de casa, houve um movimento de migração de aluguéis das capitais para outras cidades mais baratas. 

"O Litoral e o Interior foram privilegiados nisso. Quem começou a trabalhar em casa busca alternativas mais baratas para morar. E os donos, por sua vez, percebem esse movimento e acabam fazendo reformas para conseguir locar, o que movimenta esse índice”. 

Tudo sobre: