[[legacy_image_285799]] O Comitê de Política Monetária do Banco Central anunciou, nesta quarta-feira (2), o primeiro corte da Selic desde agosto de 2020. A taxa básica de juros foi reduzida em 0,5 ponto percentual, de 13,75% para 13,25% ao ano. Em comunicado, o colegiado adiantou a previsão de novo corte de 0,5 ponto nas próximas reuniões caso se confirme o cenário de desaceleração da inflação. A redução já era esperada pelo mercado e pelo governo. A dúvida estava na intensidade do corte, com previsões entre 0,25 e 0,50 ponto. O Copom disse ter avaliado primeiro a alternativa de um corte mais conservador da Selic, mas depois considerou que seria apropriado adotar uma redução maior em função da melhora do quadro inflacionário, reforçando, no entanto, o “firme objetivo de manter uma política monetária contracionista para a reancoragem das expectativas e a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante”. A decisão, porém, não foi unânime: cinco integrantes do Copom votaram pelo corte de 0,50 ponto e quatro, pela redução de 0,25. Entre os que votaram pelo 0,50 ponto, estão os novos diretores do BC indicados pelo governo Lula (Gabriel Galípolo e Ailton de Aquino Santo) e também o presidente da autarquia, Roberto Campos Neto - que teve o voto de Minerva. Ainda pela manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a cobrar o início do ciclo de corte de juros, alegando que o chefe do BC “não entende de Brasil e de povo”. Com mandato até dezembro de 2024, Campos Neto foi indicado na gestão Bolsonaro e é o primeiro a dirigir o BC com autonomia operacional definida em lei. O Copom também decidiu retirar a menção feita antes de “risco fiscal” – usada nas reuniões anteriores como uma das justificativas para a manutenção da Selic – apesar do novo arcabouço ainda estar em tramitação no Congresso. Essa foi a primeira vez que o Copom não citou o fiscal no balanço de riscos para a inflação desde março de 2020 - quando a pandemia chegou ao Brasil. No mercado, isso foi visto como um aceno ao governo, principalmente ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad. TréguaImediatamente após a decisão, o BC e Campos Neto colheram a primeira manifestação de trégua de Haddad, que montou um púlpito na porta do seu ministério para demonstrar seu “otimismo” com a Selic. “Tenho certeza de que o presidente do BC votou com o que conhece em economia, voto técnico e calibrado”, disse. Houve também elogios do setor produtivo, como da CNI e Firjan (ambas da indústria), FecomercioSP, Febraban (bancos) e Abras (supermercados).