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Domingo

12 de Julho de 2020

Após reabertura, shoppings têm faturamento até 80% menor em relação ao período pré-pandemia

Entidade que representa o setor avalia que a retomada do comércio é lenta. Interdição das praças de alimentação contribuiu para prejuízo estimado em R$ 35 bilhões, avalia Alshop

Depois de quase três meses com as portas fechadas, a retomada dos shoppings no País ficou abaixo das expectativas dos profissionais do setor. É o que avalia uma pesquisa da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), feita ao fim da primeira quinzena de reativação desse segmento econômico. 

O estudo foi feito entre os dias 24 e 26 de junho com associados que representam 4.000 pontos de venda em todo o Brasil. Segundo a pesquisa, em São Paulo, 32% dos lojistas relataram que o faturamento caiu 90% em relação ao período pré-pandemia.  

Para 41% dos lojistas o faturamento ficou reduzido em até 80% e 24% dos empresários registraram queda até 70%. No caso da Capital, os dados já refletem o prejuízo do Dia dos Namorados, no qual o comércio teve apenas um dia de vendas nos centros de compra, e mesmo assim abertos por apenas quatro horas por dia.  

“A queda foi vertiginosa nas vendas, o que mostra o quanto o setor do comércio foi comprometido com a pandemia. Os prejuízos estimados estão em R$ 35 bilhões. Só na grande São Paulo, 10% das lojas não vão mais reabrir por falta de condições o que irá aumentar o desemprego, além da queda da arrecadação. Os lojistas de shopping seguem protocolos rígidos e mesmo assim estão sujeitos a restrições que não valem para todos os setores”, diz Nabil Sahyoun, presidente da Alshop.  

Ele avalia que, no Estado, são 180 shoppings que empregam milhares de pessoas, além dos empregos indiretos gerados pela atividade econômica dos empreendimentos. “Foram três meses de fechamento total e mesmo com a baixa ocupação das UTIs na capital paulista os lojistas e colaboradores terão que esperar mais uma semana”, continua. 

Sahyoun explica que os shoppings que seguem a um protocolo sanitário mais rígido determinado com associações do setor e validado pelo poder público. Ele alega que o fato de as praças de alimentação seguirem fechadas em boa parte dos empreendimentos é o motivo para o faturamento reduzido. Os resultados representam sobretudo a primeira quinzena de comércio aberto parcialmente na capital paulista e uma retomada tímida da atividade comercial em outros centros de compra no país.  

Demais praças 

O levantamento também ouviu lojistas fora da cidade de São Paulo, as mesmas informações foram analisadas e 35% dos associados informaram uma queda de até 80% no faturamento, seguido de 29% que registraram queda de até 70% nas vendas. Em relação a taxa de conversão de clientes, ou seja, o número de pessoas que realmente concluem a compra os dados foram ainda mais negativos.   

Dos lojistas entrevistados, 59% informaram que a taxa de conversão é muito inferior ao mesmo período antes da pandemia fruto dos consumidores cautelosos ou sem renda.  

“A população ainda quer evitar aglomerações e como as lojas funcionam em horários muito restritos, os consumidores que têm condições de fazer compras, pensam duas vezes antes de saírem de casa. Mas é importante ressaltar que os shoppings estão com mais de 20 protocolos aplicados internacionalmente e validados aqui por instituições renomadas como o hospital Sírio Libanês e validadas pela Vigilância Sanitária em diversos estados.”, afirma o presidente da Alshop. 

Para aquecer as vendas nestas primeiras semanas da retomada, 71% dos lojistas afirmam aplicar descontos em produtos para estimular a compra, mas 29% diz não ter condições de promover ações específicas nesse momento de retomada. “Os lojistas estão cada vez mais criando oportunidades para seus clientes aproveitarem os artigos com excelentes descontos e promoções. Pensando em um lojista do setor de vestuário, com o estoque cheio de peças não teria condições de renovar o estoque para o inverno que acabou de chegar. Então, vemos os descontos como uma forma de ajudar a todos, clientes e lojistas”, comenta. 

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