Moradores do Macuco, em Santos, e diretores da Mota-Engil, empresa responsável pela construção do túnel imerso Santos–Guarujá, fizeram reunião na noite de sexta-feira (21) para discutir o modelo de desapropriações previsto para o bairro. A comunidade cobrou critérios modernos e transparentes para as indenizações e afirmou que pretende garantir reposição integral dos imóveis que serão demolidos. A presidente da Associação Comunitária do Macuco (Acom), Alcione Alves Rocha, abriu a reunião afirmando que o bairro não aceitará indefinições sobre prazos, negociações ou critérios de avaliação. Ela destacou que moradores e comerciantes precisam ser tratados como parte interessada e diretamente impactada pelo empreendimento, e não como espectadores. Segundo ela, a comunidade exige clareza sobre o cronograma, os responsáveis técnicos e o início das tratativas. “O Macuco não aceita improvisos nem ser o último a saber”, afirmou. O secretário da Acom, engenheiro José Santaella, classificou como inadequados os métodos de avaliação imobiliária previstos nos documentos da parceria público-privada (PPP). Segundo ele, nenhum dos imóveis atingidos está à venda por vontade própria, e todos serão demolidos para a implantação do túnel, o que inviabiliza o uso de parâmetros tradicionais para precificação. Estado Os diretores da Mota-Engil informaram que o Governo do Estado ficará responsável por todo o processo de remoção, estimado em R\$ 544 milhões. Os representantes da construtora disseram que não querem “deixar cicatrizes” no bairro. Segundo eles a decisão pelo traçado foi política e não técnica. Canal No encontro, a construtora prometeu criar um canal permanente de comunicação para a comunidade acompanhar as etapas da obra e reduzir conflitos. O túnel tem custo de R\$ 6,8 bilhões e é um projeto compartilhado por Estado e União. Prisão de Bolsonaro O ex-ministro da Casa Civil e ex-deputado federal José Dirceu (PT) esteve neste sábado (22) em Santos e comentou a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “A medida foi fundamentada pelo Poder Judiciário. Bolsonaro iria fugir, ao que tudo indica”, disse. E agora? Questionado se a prisão pode acirrar os ânimos, José Dirceu afirma que o Brasil vai “virar a página” Bolsonaro, porque o ex-presidente está diminuindo a base social e perdeu apoio político. “Ele é responsável pelos atos que praticou, então ele tem que cumprir a pena”, diz o petista, que também já foi preso. Cassação Ele também comentou sobre o filho do ex-presidente, deputado federal Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos. “É grave a Câmara dos Deputados não ter iniciado e concluído o processo de cassação. Nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro estaria condenado à morte por traição à pátria. Lá e em muitos países do mundo. No Brasil, corretamente, não temos pena de morte”. (Alexsander Ferraz/Arquivo AT) Internação O vereador Allison Sales (PL, foto) apresentou um projeto de lei que “institui a internação humanizada” em Santos, “com ou sem consentimento”, de pessoas em situação de vulnerabilidade. Quem? O projeto de Sales explica que a lei seria direcionada para pessoas que, em razão de dependência química, transtorno mental, sofrimento psíquico, deficiência parcial de discernimento ou exposição social extrema, necessitem de cuidados especializados para proteção de sua saúde física e mental. Quando? A proposta diz que a internação involuntária poderá ser solicitada por familiar ou servidor das áreas de saúde ou assistência social quando “esgotadas alternativas extra-hospitalares”. Motivo O parlamentar afirma que o projeto de lei é para atender pessoas “que comprometam sua capacidade de autocuidado e preservação da integridade física e emocional”. Segundo ele, a proposta é “inspirada em modelos de referência nacional”, com “um protocolo moderno, ético e humanizado”.