Animal estava preso e foi encontrado morto na tarde de terça (9) (Caroline dos Santos Melo e reprodução) Uma capivara foi encontrada morta no canal das catraias, trecho que liga Santos ao distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, no litoral de São Paulo, na tarde de terça-feira (9). O animal havia sido visto ainda no domingo (7) e, segundo catraieiros, passou mais de 24 horas no mesmo ponto do canal aparentando estar exausta e incapaz de sair de lá. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A informação foi confirmada por Leila Abreu, presidente do Instituto Eliseu, entidade que atua no resgate e tratamento de animais abandonados ou vítimas de maus-tratos da região. De acordo com ela, a capivara foi encontrada morta no canal por um catraieiro no final da tarde de terça-feira (9). Leila, que havia publicado um vídeo na manhã de terça-feira (9) solicitando apoio para o resgate do animal e estava acompanhando o caso, afirma que a capivara morreu por falta de atendimento. Segundo a presidente, catraieiros estavam pedindo ajuda desde o dia anterior para resgatar o animal, que estava parado no mesmo lugar. Para ela, apesar das capivaras saberem nadar, essa justificativa não se aplica ao caso. “Um animal que está parado há mais de 24 horas no mesmo lugar, alguma coisa estranha tem. Então, no mínimo, as pessoas que se dizem amantes dos animais, que trabalham por eles e para eles, deveriam ir até o local”, afirma. Capivara havia sido vista presa A técnica de enfermagem Caroline dos Santos Melo, de 42 anos, registrou o animal preso na segunda-feira (8), quando realizava a travessia. Ela afirma que a capivara já estava no mesmo ponto do canal às 7h e permaneceu ali durante todo o dia. "Eu atravessei de manhã e ela já estava no canal. Eu fui retornar para minha casa, e ela ainda estava lá. Os catraieiros pediram ajuda, mas ninguém foi lá tirá-la. Ela estava estressada e cansada. Devia estar com fome também”, relatou Por segurança, os catraieiros passaram a fazer a travessia de forma mais lenta e apenas com uma embarcação por vez, para evitar colisões com o animal, que ficava com apenas a cabeça fora da água. O que dizem os órgãos públicos A Autoridade Portuária de Santos (APS) afirmou que “desconhece a informação de que qualquer individuo da espécie tenha sido encontrado morto na região do Porto”. A instituição confirmou que a Guarda Portuária avistou a capivara no domingo (7) pela manhã, na altura do Rio dos Soldados, e chamou os Bombeiros. No entanto, segundo a nota, o animal “lançou-se ao mar” quando houve tentativa de aproximação, e não foi mais localizado. A Prefeitura de Santos informou, por meio de nota, que não foi acionada para a retirada do animal e que, por se tratar de área portuária, a responsabilidade é da APS. Sobre o resgate, afirmou que o Grupamento Ambiental da Guarda Civil Municipal (GCM) fez buscas, mas não encontrou a capivara no momento do acionamento. Segundo a Administração Municipal, a corporação orientou a Autoridade Portuária a cercar o animal caso fosse avistado novamente, para permitir a sedação e a retirada. A Prefeitura finalizou a nota destacando que “capivaras são comuns na região, possuem a capacidade de nadar em lagos, rios e até no mar e podem ficar muitos minutos submersas, o que dificulta a sua localização”. O Ibama também foi procurado pela reportagem, e informou que não foi acionado sobre o caso. De acordo com o órgão, situações desse tipo devem ser atendidas pela Polícia Militar Ambiental ou Corpo de Bombeiros. Em nota, o 6º Batalhão de Polícia Militar do Interior (6º BPM/I) declarou que “até o presente momento, não há registros de acionamento para atendimento de ocorrência na data e local mencionados”. O Corpo de Bombeiros também afirmou não ter localizado registros da ocorrência. A Prefeitura de Guarujá também foi contatada, mas não respondeu até a publicação desta matéria. Capivaras são protegidas por lei Como toda a fauna silvestre brasileira, capivaras são espécies nativas protegidas por lei, e seu manejo deve seguir normas ambientais. Segundo o artigo 225 da Constituição Federal, “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.