Risco de infestação do mosquito da dengue deixa região em alerta

Índice está alto em seis cidades da Baixada Santista; preocupação é que ocorra epidemia

Por: Fernando Degaspari  -  28/11/18  -  23:03
Aedes aegypti também transmite a doença; alerta para o Litoral
Aedes aegypti também transmite a doença; alerta para o Litoral   Foto: Portal Brasil

Ao menos seis das nove cidades da Baixada Santista estão em alerta por causa do índice de infestação do mosquito Aedes aegypti. A situação mais preocupante é a de São Vicente, que tem alto risco de contaminação. Especialistas não descartam a chance de uma nova epidemia de dengue.


São Vicente registrou 8,2% no último Levantamento do Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (Liraa), feito em outubro. Isso significa alto risco de contaminação, de acordo com as normas do Ministério da Saúde.


O chefe do Departamento de Doenças Vetoriais da Prefeitura de São Vicente, Fábio Lopes, acredita que os números estão bem acima da média regional por causa da forma com que as equipes realizam o trabalho de medição nas casas.


“Qual é a nossa estratégia? A gente fica rodando no quarteirão até conseguir entrar nas casas. E como a Baixada Santista está muito infestada, quando a gente entra e consegue fazer a procura com qualidade, achamos as larvas. Isso influencia no índice. Se você pegar os números de anos atrás, eles eram baixos. Nós mudamos a metodologia”, diz ele.


Santos e Itanhaém (com 2,5%), Cubatão e Guarujá (com 1,5%) e Mongaguá (com 1,2%) estão em alerta, já que essas quatro cidades registraram Liraa entre 1% e 3,9%.


“Neste mesmo período, em outros anos, já tivemos situações bem mais confortáveis. Estar com o índice em 2,5% é, de fato, para acender uma luz de alerta com as medidas adicionais que devem ser adotadas”, diz Marcelo Brenna do Amaral, do Departamento de Vigilância em Saúde de Santos.


Praia Grande (0,8%) é a única que apresenta número considerado satisfatório. Bertioga e Peruíbe informaram que não possuem os dados.


Risco


Na opinião do médico infectologista Evaldo Stanislau, o risco de uma nova epidemia de dengue existe, embora a Baixada Santista tenha registrado poucos casos nos últimos anos.


“Estando com poucas pessoas infectadas, mesmo com o vetor o risco fica menor, mas não desprezível. E nesse sentido, obviamente, São Vicente, com índice maior, fica em maior risco”, afirma.


Ele ainda pondera sobre o ciclo da dengue. Conforme mostram estudos, a contaminação permanece baixa por dois ou três anos e depois volta a subir.


“Há anos, a dengue tem se mostrado de pouca relevância numérica. Isso preocupa, pois caracteristicamente a dengue, após anos de baixa incidência, causa epidemias maiores. Devemos estar atentos. E também com chikungunya que está à espreita”, completa.


Para Fábio Lopes, o tipo de vírus que está circulando é o principal risco à população.


“Circulando o sorotipo 1, que circula há muitos anos, a maioria já contraiu a doença e não está mais suscetível. Aí temos a falsa impressão que está controlado. Mas em São Paulo já começou a transmissão do tipo 2. A última vez que isso aconteceu foi em 2010 e houve mortes, porque é mais violento. O que provavelmente vai circular nesse verão é o tipo 2”, alerta.


O que fazer


Segundo os especialistas, a única saída é a conscientização da população para que volte a realizar ações para acabar com criadouros do mosquito.


“A gente está levando essa semana muito menos em função de ações a serem feitas pelo Município, mas levando isso para a ponta. A questão é fazer com que as equipes que estão nas unidades de saúde levem essa conversa para a população que é assistida nesses lugares ou mesmo as que estão em suas residência, já que a gente faz as visitas. É alertar as pessoas sobre o risco que não está, nem de longe, afastado”, conclui Marcelo Brenna do Amaral.


“Cingapura reduziu a transmissão em 45% com a ajuda da população, mas o oriental é muito diferente da gente. No Brasil é muito difícil. É assustador o número de acumuladores em São Vicente, geralmente população de baixa renda”, completa Fábio Lopes.


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