Médicos da Baixada Santista esclarecem infecção simultânea de gripe e covid-19

Especialistas ouvidos por A Tribuna analisam infecção causada pelas duas doenças

Por: Júnior Batista  -  05/01/22  -  11:43
Atualizado em 05/01/22 - 11:55
Procura de pacientes com sintomas de gripe permanece intensa em unidades de saúde da região, com longa espera por atendimento médico
Procura de pacientes com sintomas de gripe permanece intensa em unidades de saúde da região, com longa espera por atendimento médico   Foto: Vanessa Rodrigues/AT

A infecção simultânea pelos vírus Sars-Cov-2 e Influenza, que causam covid-19 e gripe, pode ocorrer, mas é pouco comum, dizem especialistas ouvidos por A Tribuna.


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O infectologista Evaldo Stanislau afirma que, em geral, um vírus sobressai quando há duas infecções ao mesmo tempo.


“Temos técnicas laboratoriais sensíveis para identificar os dois vírus e se eles estão ativos ou não, porque, como um vírus costuma anular o outro, você até identifica os dois, mas um está comandando, e outro está suprimido”, afirma.


De acordo com o infectologista Leonardo Weissmann, ainda há poucas evidências de que a infecção dupla possa ser mais grave. “A combinação de dois ou mais vírus ao mesmo tempo é comum, pois a infecção por um deles deixa o organismo mais vulnerável a outra infecção”, diz.


Stanislau afirma que a infecção dupla não necessariamente agrava quadros de saúde. “Eventualmente, em pacientes mais crônicos e debilitados, isso pode acontecer, mas não é preocupação para a maioria.”


Os médicos mencionam que os sintomas são os mesmos já conhecidos, tanto da gripe quanto da covid-19: coriza, febre, dores no corpo e, nos casos de coronavírus, também tosse, falta de ar e perda de olfato ou de paladar.


“Não há um sintoma que prevaleça entre a covid-19 e a Influenza. Isso sugere que existe a coinfecção. O organismo tem manifestações das duas infecções”, declara Weissmann.


Em ambos os casos, Stanislau lembra que a máscara protege contra a dupla infecção. “A gente precisa usar a máscara sempre. Os dois vírus estão aí, mas, da Influenza, estamos vivendo um surto. Agora, o coronavírus, a variante Ômicron, não. Nós vamos conviver por mais tempo (com a covid-19).”


Vacinas

Leonardo Weissmann lembra, ainda, que a dupla vacinação vai ajudar em ambos os casos.


“Esse é um conceito importante. A gente se vacina para evitar formas graves de doenças, tanto para gripe quanto para covid. Vacina evita morte por gripe. Quando ambas evitam infecção, e isso ocorre com frequência, é o melhor dos mundos.”


Casos

Na cidade de São Paulo, há pelo menos 24 casos confirmados de infecção simultânea por gripe e coronavírus, segundo o jornal Folha de S.Paulo.


Na Capital, desde 2020, todos os pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave que são hospitalizados têm coletadas amostras para pesquisa dos vírus Influenza e Sars-CoV-2.


No Rio de Janeiro, um adolescente de 16 anos fez dois testes em laboratórios diferentes e particulares, e se confirmou ter contraído os dois vírus.


O jovem, que de acordo com parentes é atleta, está vacinado tanto contra a gripe quanto contra a covid-19.


De acordo com a TV Globo, outro caso foi confirmado pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio.


Em Fortaleza (CE), três pacientes tiveram diagnóstico positivo para as duas doenças ao mesmo tempo, dos quais duas bebês de um ano.


Vacinação contra gripe

Parte das prefeituras da região oferece imunização contra o vírus Influenza:

Bertioga: todos os públicos, em todas as UBSs e ESFs, das 9h às 16h.

Cubatão: crianças até 5 anos, 11 meses e 29 dias; gestantes; puérperas; e idosos a partir de 60 anos que ainda não receberam as doses da campanha do ano passado, nas unidades de Saúde do Jardim Casqueiro, Vila Nova e Mario Covas.

Guarujá, Praia Grande, Peruíbe e Santos: não há vacinas, mas as prefeituras informam que já fizeram solicitação ao Governo Estadual.

Mongaguá: todas as pessoas com mais de 6 meses podem tomar a vacina contra a gripe, em um das nove USFs, das 8h30 às 11h30, de segunda a sexta-feira.

Itanhaém: gestantes (dose única) e crianças de 6 meses a 8 anos de idade, que necessitam de 2 doses da vacina, em todas as USFs.

São Vicente: aplicações de rotina em gestantes e segunda dose para crianças de 6 meses a 2 anos.


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