[[legacy_image_60872]] Atuando como médico há dois anos nos Estados Unidos, o urologista brasileiro Marcio Covas Moschovas, de 35 anos, foi um dos primeiros profissionais da saúde brasileiros a tomar a vacina da Pfizer contra a Covid-19 no país. Nesta quarta-feira (6), ele recebe a segunda dose da vacina, e relata sua experiência. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Natural de São Paulo, capital, ele conta que passou grande parte da infância em Santos, cidade que resguarda o sentimento de nostalgia para o médico. Moschovas conta ainda que estudou na Faculdade de Medicina do ABC, onde também fez residência, depois foi para a Bélgica, e está nos Estados Unidos há dois anos. No país, ele atua como urologista oncológico, e durante a pandemia de coronavírus, ele foi o responsável por desenvolver os protocolos do hospital em que trabalha, na cidade de Celebration, na Flórida, para tratar os pacientes de câncer com Covid-19. [[legacy_image_60874]] “Eu escrevi diversos artigos e posts sobre Covid-19 na urologia, inclusive nas redes sociais, sobre os protocolos do hospital, acho esse assunto muito importante no momento em que estamos vivendo”, conta. O médico diz que foi vacinado no dia 17 de dezembro, logo que a vacinação começou nos Estados Unidos, tendo como público-alvo os profissionais da área da saúde. “Eles começaram a liberar a vacina no dia 14 de dezembro, mas não foi em todos os centros que ela estava disponível. Então, oficialmente, começou dia 16 e dia 17, quando liberaram para ‘staff’ médico e pessoas da área da saúde”. A primeira vacina que começou a ser aplicada foi a da Pfizer. A segunda dose começará a ser aplicada nesta quarta (6). “A segunda vacina que começou a ser usada é da Moderna, que é outra companhia, que começou uns 15 dias depois da vacina da Pfizer”, diz Moschovas. Um dos primeiros no país O brasileiro acredita ter sido um dos primeiros brasileiros a ter sido imunizado contra a Covid-19 nos Estados Unidos. “Meu centro foi um dos primeiros a começar a campanha de vacinação, e não tem brasileiros por aqui, a gente tem o controle do staff do hospital. A importância disso nesse momento, de se acreditar na vacina é grande. Na área da saúde, nós somos responsáveis por dar o exemplo de tomar a vacina”. Ele relata que não teve nenhum tipo de efeito colateral. “De sintomas, não tive nenhum efeito colateral. A única coisa foi uma dor no braço por um ou dois dias, que acontece por causa da aplicação, mas nada de febre e todas aquelas coisas que dizem por aí. Ninguém que eu conheço do hospital teve efeitos colaterais”. Antes de tomar a vacina, é necessário assinar um ‘termo de consentimento’, que é comum em qualquer tipo de procedimento médico realizado nos Estados Unidos. “Agora, vai todo mundo tomar a segunda dose amanhã. Espero que, dentro de alguns meses, quando a gente fizer o exame de anticorpos Igg, o teste dê positivo”, diz. Agora, o país começa a vacinação de pessoas idosas, acima dos 65 anos. Expectativa Em relação à organização, Marcio Covas Moschovas diz que a primeira fase da vacinação correu bem, mas a segunda fase, em que a população deve ser imunizada, já apresentou um cenário diferente. “Foi tudo muito bem organizado para a staff médica, com agendamento pela internet, tudo muito rápido. Já para os idosos, a vacinação está sendo mais caótica, com filas de carros de quilômetros”. A previsão do país era de imunizar cerca de 20 milhões de pessoas até o último dia de dezembro. No entanto, a adesão foi de 4,5 a 5 milhões. “Estão abaixo da previsão, mas as pessoas estão aderindo à campanha”, conta o médico. Brasil Comparando os cenários de enfrentamento à pandemia, o urologista Marcio Covas Moschovas conta que, no começo, observou que tanto os Estados Unidos quanto o Brasil ficaram ‘perdidos’ quanto às medidas que deveriam ser tomadas. “Se perderam, subestimaram a doença. Pelo fato de ter muito dinheiro, os EUA conseguiram se recuperar comprando as vacinas de duas companhias com credibilidade”, considerou. Moschovas ainda opinou a respeito da vacina brasileira, produzida pelo Butantan. “Ainda estão tentando entregar os resultados, eles ainda não têm um resultado com credibilidade. Isso gera uma desconfiança na população que vai tomar a vacina e na comunidade científica. Ao mesmo tempo, tem a internet com um monte de teorias da conspiração. A gente divulga a importância porque, logo, as clínicas particulares também vão oferecer vacinas que as pessoas vão poder tomar”, finaliza.