Ficar muitas horas sentado reduz a velocidade do fluxo venoso nos membros inferiores, o que favorece a formação de coágulos (Divulgação / Freepik) A tão esperada viagem de férias ou trabalho pode esconder um risco pouco conhecido, mas potencialmente grave: a trombose venosa profunda (TVP). O problema ocorre quando se forma um coágulo de sangue, geralmente nas veias das pernas, e pode se agravar se esse coágulo se deslocar até os pulmões, causando uma embolia pulmonar — quadro que pode ser fatal se não tratado rapidamente. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), o risco de trombose aumenta em viagens com mais de quatro horas de duração, seja de avião, ônibus ou até mesmo carro. O principal motivo é a imobilidade prolongada, associada à má circulação sanguínea nas pernas. Ficar muitas horas sentado reduz a velocidade do fluxo venoso nos membros inferiores, o que favorece a formação de coágulos, principalmente em pessoas com predisposição. O que é trombose e por que ela acontece em viagens longas? A trombose venosa profunda é a formação de um trombo (coágulo) no interior de uma veia profunda, geralmente na panturrilha ou na coxa. Esse bloqueio dificulta o retorno do sangue ao coração, provocando dor, inchaço, sensação de peso, vermelhidão e calor local. Durante uma viagem, principalmente em classes econômicas de avião ou em ônibus com espaço reduzido, o corpo fica imóvel por horas, e o sangue tende a se acumular nas pernas. A compressão das veias pelos músculos inativos e pela posição sentada sem movimentação contínua eleva consideravelmente o risco de coagulação. Quem corre mais risco? Embora qualquer pessoa possa desenvolver trombose em circunstâncias específicas, alguns grupos têm risco aumentado: Pessoas com histórico familiar ou pessoal de trombose Portadores de varizes ou insuficiência venosa crônica Mulheres que tomam anticoncepcionais hormonais ou estão grávidas Idosos Pessoas obesas ou sedentárias Pacientes com câncer, doenças inflamatórias ou cardiovasculares Viajantes que passaram por cirurgias recentes Segundo a Mayo Clinic, pessoas com mais de 60 anos ou com comorbidades devem redobrar os cuidados em deslocamentos longos. Viagem de avião x ônibus: há diferença no risco? Apesar de o risco estar mais associado à imobilidade do que ao meio de transporte, a pressurização das cabines de aviões também é um fator que pode influenciar na coagulação sanguínea. Segundo estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada seis horas adicionais de voo, o risco de trombose aumenta em até duas vezes. No caso dos ônibus, a ausência de pausas para andar e o pouco espaço entre poltronas também são fatores preocupantes, especialmente em viagens noturnas sem paradas. Como se prevenir durante viagens longas? A boa notícia é que a trombose pode ser prevenida com atitudes simples antes e durante o trajeto. Veja as recomendações dos especialistas: 1. Movimente-se a cada 1 ou 2 horas Em voos longos, levante, caminhe pelo corredor e movimente os pés. Em ônibus, flexione e estenda os tornozelos e joelhos no assento. 2. Hidrate-se bem Beba bastante água antes e durante a viagem. Evite álcool e cafeína em excesso, que desidratam. 3. Use meias de compressão graduada Indicadas para quem tem histórico de trombose, varizes ou fatores de risco. Elas ajudam a manter o fluxo sanguíneo adequado nas pernas. 4. Evite roupas apertadas Prefira roupas leves e confortáveis que não comprimam as pernas ou a cintura. 5. Converse com seu médico antes da viagem Pessoas em tratamento, gestantes ou com doenças crônicas devem consultar um especialista. Em alguns casos, é indicado o uso de medicamentos anticoagulantes preventivos. Fique atento aos sintomas após a viagem Os sinais de alerta para trombose geralmente aparecem entre 24 e 72 horas após o trajeto, mas podem se manifestar até sete dias depois. Fique atento a: Inchaço repentino em uma perna Dor persistente ou sensação de câimbra Vermelhidão ou calor local Veias superficiais dilatadas ou endurecidas Em caso de suspeita, procure atendimento médico imediatamente. Se o coágulo se deslocar para o pulmão, pode causar embolia pulmonar, com sintomas como falta de ar súbita, dor no peito e desmaio — situação de emergência.