(Adobe Stock) Você já se pegou prevendo o futuro muitas vezes? Certamente que sim. Imagine, então, tentar viajar para o próximo século, o 22, e saber como tudo estará por lá. É esse exercício que será feito na reportagem de hoje, contemplando a tecnologia, a sociologia e a ecologia. Tecnologia A integração entre biologia e tecnologia quântica permitirá avanços sem precedentes na saúde, na compreensão da vida e na interação com o ambiente, segundo o astrofísico e engenheiro de produção Wilson Fonseca. “Talvez isso aconteça até em nível molecular e atômico. A exploração espacial poderá se beneficiar enormemente dessa simbiose”. A descentralização será uma força motriz, lembra Fonseca. “Impulsionada por tecnologias distribuídas e uma possível reavaliação dos modelos socioeconômicos, poderemos ver uma descentralização significativa em várias esferas, desde a produção de energia e alimentos até a organização social e política. O ‘retorno ao rural’ pode ser interpretado como uma busca por maior autonomia e conexão com a natureza, facilitada por tecnologias que permitem viver e trabalhar remotamente de forma eficiente”, observa. O astrofísico argumenta que a abundância será tecnologicamente viável, mas o desafio será a gestão. “A capacidade de gerar recursos, produzir bens e oferecer serviços de forma abundante será muito maior graças à automação avançada, inteligência artificial (IA) e novas fontes de energia. No entanto, a questão crucial será como essa abundância acabará distribuída e como a sociedade lidará com as implicações de uma possível ‘escassez de propósito’ para os seres humanos”. A ‘mega-aceleração’ continuará, mas com foco na qualidade, de acordo com Fonseca. “Tudo será mais rápido, mais conectado e em maior escala. No entanto, poderá haver uma mudança de foco da mera velocidade e quantidade para a qualidade da experiência, a sustentabilidade e o bem-estar humano. A obsolescência tecnológica continuará, exigindo adaptação constante”. A inteligência artificial será uma força onipresente e sutil, define o astrofísico. “Em vez de ser uma entidade separada, a IA estará integrada em todos os aspectos da vida, desde a gestão de recursos e infraestrutura até a assistência pessoal e a pesquisa científica. Sua atuação será tão natural e fluida que poderá se tornar quase invisível”. O professor de Gestão do Conhecimento na Unisanta, Alfredo Cordella, utiliza a análise prospectiva para nortear o raciocínio. Trata-se de uma ciência que visa avaliar o presente para entender e projetar o futuro. A base é a abordagem probabilística. “Com interpretações do estado e do comportamento de um sistema, no presente, é possível, por intermédio de prospecções, esboçar cenários futuros prováveis por identificação de tendências. Algumas tendências mais determinantes chamamos de tendências pesadas”, detalha. Um exemplo de tipo dessa tendência é a IA. “Esta tecnologia tem todos os indicadores, nos dias de hoje, de que vai ser determinante na vida futura, em vários níveis”, afirma. Sociologia Os métodos da análise prospectiva, segundo Cordella, são utilizados para uma definição ou ação antecipada. “Nas análises prospectivas, é preciso considerar futuros múltiplos: o aumento da competitividade, o desmonte da globalização, a rapidez das mudanças sociais, os avanços tecnológicos, principalmente na área da inteligência artificial, a tendência de participação da sociedade nas decisões governamentais e empresariais (redes sociais), a emergência climática e a conscientização da necessidade de ações. Tudo isso explica a importância da análise prospectiva”. No entanto, a análise prospectiva não trabalha neste horizonte de tempo tão grande - faltam 75 anos para o ano 2100. “Nestas condições, o nível de incertezas é altíssimo e, portanto, quaisquer prospecções futuras estarão contaminadas pela leviandade”, afirma.