O ato de tomar banho pode causar dor ou representar risco de queda para alguns idosos (DIvulgação / Freepik) A recusa ao banho por parte dos idosos é um fenômeno mais comum do que se imagina, e suas causas são múltiplas, revelando fatores físicos, cognitivos e emocionais. A geriatria aponta que, diante de condições como artrite, mobilidade reduzida e fragilidade, o ato de tomar banho pode causar dor ou representar risco de queda, levando muitos idosos a evitá-lo. Além disso, ambientes frios intensificam o desconforto térmico, afastando-os ainda mais desse momento de higiene. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Do ponto de vista psicológico, condições como depressão e ansiedade também contribuem para a resistência ao banho. A falta de motivação e o estado emocional debilitado – comum em idosos com depressão – reduzem a vontade de cuidar da higiene pessoal. Em casos de Alzheimer ou demência, fatores cognitivos se somam: a perda de memória, confusão e até o medo do ambiente ou da água ao redor da cabeça reforçam a rejeição do banho. Traumas relacionados à água ou à higiene – como terem escorregado ou sido expostos a objetos estranhos – podem desencadear fobias específicas como a que provoca ansiedade intensa e até ataques de pânico perante a ideia de tomar banho. Da mesma forma, a perda da independência, a necessidade de ajuda para realizar um ato íntimo e a sensação de invasão da privacidade são fatores cruciais na recusa. Para abordar essa resistência, psicologia e gerontologia recomendam uma comunicação baseada na empatia. Em vez de pressão, o ideal é conversar com o idoso, entender seus medos e respeitar seus limites. Estratégias como convidá-lo dizendo “nós vamos tomar banho”, criar rotinas fixas, elogiar e oferecer pequenas recompensas ajudam a reduzir a ansiedade e estimular a cooperação. O ambiente também precisa ser seguro e acolhedor. A instalação de barras de apoio, tapetes antiderrapantes, cadeiras de banho e garantia de temperatura confortável — tanto da água quanto do banheiro — são essenciais para minimizar o desconforto e o risco de acidentes. Técnicas específicas, como usar chuveirinho manual, dar banho em horários conhecidos e permitir participação ativa do idoso no processo podem transformar o momento em um ritual positivo. Hora de buscar ajuda É importante saber quando buscar ajuda profissional. Se a recusa persistir por longos períodos, acompanhada de ausência de higiene pessoal, isolamento ou agressividade, é recomendável procurar um médico geriatra para avaliar condições físicas (como dor, infecções ou fragilidade) e um psicólogo ou psiquiatra para investigar se há depressão, ansiedade ou transtornos neurocognitivos. A intervenção precoce pode evitar complicações maiores, melhorar a qualidade de vida e resgatar a autoestima do idoso.