Uma em cada quatro gestações no mundo termina em perda, segundo levantamento da ONS (Vanessa Rodrigues - AT) A perda de um bebê durante a gestação ou logo após o nascimento é uma dor profunda e muitas vezes silenciosa. Mais do que a ausência física, ela representa o fim de sonhos, planos e expectativas. Casos recentes, como os da cantora Lexa, da apresentadora Tati Machado e da influenciadora Clara Maia, trouxeram visibilidade ao tema e reacenderam o debate sobre o acolhimento emocional e a saúde mental das famílias que enfrentam o luto gestacional. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Para a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline, o primeiro passo é reconhecer o luto como legítimo. “O luto perinatal não é apenas sobre a morte do bebê, mas sobre o vínculo e os planos interrompidos. Validar essa dor é essencial para que o acolhimento aconteça de forma verdadeira”, afirma. Um luto sem prazo e sem regras Segundo a especialista, cada pessoa vivencia o luto de forma única, e não existe um tempo certo para a superação. “Algumas pessoas passam por esse processo em semanas, outras em meses ou até mais tempo. O importante é observar como a tristeza impacta o cotidiano. Quando há isolamento prolongado ou pensamentos de desesperança, é hora de buscar ajuda profissional”, explica Rafaela. Sete atitudes que realmente acolhem A psicóloga destaca que pequenas ações de empatia podem fazer grande diferença no processo de recuperação emocional. Ouça sem julgar. O silêncio respeitoso vale mais do que conselhos. Diga “sinto muito”. Validar a dor é mais empático do que tentar explicá-la. Evite comparações. Cada perda é única; não existe “jeito certo” de sofrer. Ofereça ajuda prática. Uma refeição pronta, apoio doméstico ou logística aliviam a sobrecarga. Respeite os rituais. Fotos, lembranças e o nome do bebê ajudam na ressignificação da dor. Inclua o pai. Ele também vive o luto, ainda que muitas vezes em silêncio. Acompanhe depois. O apoio nas semanas seguintes é essencial, quando o luto se torna mais silencioso. Cinco frases que devem ser evitadas De acordo com Rafaela, certas frases, ainda que ditas com boa intenção, podem aumentar o sofrimento: “Foi melhor assim” ; “Você pode tentar de novo”; “Pelo menos foi cedo”; “Deus sabe o que faz” e “Seja forte” “Essas frases, embora bem-intencionadas, diminuem o sofrimento. O verdadeiro acolhimento é feito de presença, não de respostas prontas”, reforça a psicóloga. Apoio psicológico agora é garantido por lei Desde agosto de 2025, a Lei 15.139/2025 criou a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental, que garante: Atendimento psicológico pelo SUS; Acolhimento humanizado nas maternidades; Acesso a exames que apurem a causa da perda; Direito ao registro do bebê natimorto com o nome escolhido pela família. “É um avanço importante no combate ao julgamento e à solidão enfrentada por muitas famílias”, destaca Rafaela. Um tema ainda cercado de tabus De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada quatro gestações no mundo termina em perda. Apesar dos números, o assunto ainda é tratado como tabu. “Discutir o tema ajuda a romper o silêncio, validar o sofrimento das famílias e incentivar práticas mais empáticas e humanizadas”, conclui a especialista.