Alimentação industrializada, refrigerantes e baixo consumo de água podem favorecer o surgimento de pedra nos rins(Divulgação / freepik) O cálculo renal, popularmente conhecido como pedra nos rins, é um dos problemas urológicos mais comuns no Brasil. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), cerca de 12% da população brasileira vai desenvolver o distúrbio em algum momento da vida, e o número de diagnósticos vem crescendo, especialmente entre pessoas com dietas ricas em sódio e proteínas de origem animal. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O incômodo, causado pela formação de cristais minerais dentro dos rins ou das vias urinárias, pode provocar dores extremamente intensas, conhecidas como cólicas renais. Embora existam fatores genéticos envolvidos, a maioria dos casos está relacionada a hábitos cotidianos que poderiam ser evitados. 10 causas mais comuns para o cálculo renal Especialistas apontam que as pedras nos rins se formam quando há um desequilíbrio na composição da urina, levando ao acúmulo de substâncias como cálcio, oxalato e ácido úrico. Confira as principais causas: Baixa ingestão de água A desidratação é o principal fator de risco. Quando o corpo produz pouca urina, as substâncias minerais se concentram e formam cristais. Consumo excessivo de sal (sódio) O excesso de sal aumenta a eliminação de cálcio pela urina, facilitando a formação de pedras. O ideal é evitar alimentos ultraprocessados e embutidos. Dieta rica em proteínas animais Carnes vermelhas, frango e frutos do mar em excesso elevam os níveis de ácido úrico, um dos componentes de alguns tipos de cálculos. Baixo consumo de cálcio Ao contrário do que muitos pensam, reduzir o cálcio na alimentação pode aumentar o risco de pedras. A ausência do mineral faz o oxalato ser mais absorvido pelo intestino. Excesso de alimentos ricos em oxalato Espinafre, beterraba, nozes, chocolate e chá-preto contêm oxalato, substância que pode se combinar com cálcio e formar cristais. Obesidade e síndrome metabólica Pessoas com sobrepeso têm maior tendência a desenvolver alterações na urina, com níveis mais altos de ácido úrico e cálcio. Sedentarismo A falta de atividade física interfere na eliminação adequada de cálcio e pode favorecer o acúmulo de cristais nos rins. Doenças intestinais e cirurgias bariátricas Alterações na absorção intestinal como nas doenças inflamatórias intestinais ou após cirurgia bariátrica — podem aumentar a quantidade de oxalato absorvido. Histórico familiar A predisposição genética é um fator relevante. Pessoas com familiares que já tiveram cálculo renal devem redobrar os cuidados. Uso de alguns medicamentos Certos remédios, como diuréticos e suplementos vitamínicos (em especial vitamina C e D em excesso), podem alterar a composição da urina. Sintomas que exigem atenção A dor intensa na região lombar ou abdominal, muitas vezes irradiando para a virilha, é o sintoma mais característico. Outros sinais incluem: Urina escura ou com sangue; Náuseas e vômitos; Febre e calafrios (em casos de infecção associada); Urgência ou dor ao urinar. Em situações graves, o cálculo pode obstruir o fluxo de urina, exigindo intervenção médica imediata. Tratamento e prevenção O tratamento depende do tamanho e da composição da pedra. Em casos menores, o médico pode indicar aumento da ingestão de líquidos e medicamentos para facilitar a eliminação. Pedras maiores podem necessitar de litotripsia (quebra por ondas de choque) ou até cirurgia. A prevenção é sempre o melhor caminho. Os urologistas recomendam: Beber pelo menos 2 a 3 litros de água por dia; Reduzir o consumo de sal e carnes vermelhas; Manter uma dieta equilibrada, rica em frutas, legumes e cálcio; Evitar o uso indiscriminado de suplementos. Especialistas alertam para o aumento de casos em jovens Antigamente mais comum em adultos de meia-idade, o cálculo renal tem sido diagnosticado com frequência crescente em jovens e adolescentes. O motivo, segundo especialistas, está ligado à alimentação industrializada, refrigerantes e baixo consumo de água, uma combinação perigosa.