Brasil é o segundo país com mais número de casos em todo o mundo, atrás somente da Índia (Adobe Stock) No primeiro mês do ano, relembra-se o Janeiro Roxo, campanha que visa conscientizar o combate à hanseníase, antes conhecida como lepra. De acordo com um relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2025, o Brasil é o segundo país com mais número de casos em todo o mundo, atrás somente da Índia. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A doença é transmitida pela bactéria conhecida como Mycobacterium leprae e a contaminação ocorre pelas vias aéreas e por meio do contato prolongado com o enfermo. Ela causa lesões na pele que se agravam e se apresentam com manchas brancas ou avermelhadas, o que provoca a falta de sensibilidade na região, levando ao comprometimento dos nervos periféricos. Para a enfermeira Andrea Tavares, da Cuidare Alphaville Pernambuco, a campanha também pode promover a redução gradual do preconceito que envolve a doença. “O tema pode ser delicado para os pacientes que enfrentam a hanseníase e, por isso, buscam evitar ao máximo falar sobre o assunto. Dessa forma, o tratamento tem início tardio, o que torna a condição ainda mais agravada”. Ao lado, são listados alguns mitos e desinforma-ção que ainda envolvem a doença. Um exemplo, é de que seria necessário afastar os pacientes com hanseníase das pessoas, do convívio familiar, o que era rotina no passado. “Com os tratamentos sendo feitos corretamente e as recomendações necessárias que pessoas ao redor precisam tomar, o enfermo não há de ser excluído socialmente, como no passado”, diz Andrea. Mitos A hanseníase é transmitida pelo contato com os enfermos, de diferentes formas A falsa afirmação fez com que muita gente se isolasse involuntariamente das famílias e amigos. Muitos eram colocados em locais de isolamento, os famosos leprosários. Hoje, sabemos que o compartilhamento de objetos não acarreta a transmissão. É uma doença de transmissão fácil É preciso estar por um longo tempo convivendo com alguém com a doença e numa mesma residência para ser contaminado. Pessoas que possuem contato breve ou que não ficam constantemente na mesma residência que o enfermo têm menor probabilidade de serem infectadas. Não existe tratamento adequado Com o avanço da ciência, os médicos descobriram remédios capazes de curar quem sofre da doença. Medicamentos como rifampicina, dapsona e clofazimina – três antimicrobianos – atuam na ‘destruição’ do bacilo mycobacterium leprae, causador da doença. Vale salientar, o tratamento só ocorre na rede pública, com o controle feito pelo sus. Pacientes com hanseníase precisam ser retirados do convívio social Diferentemente do que era feito no passado, os pacientes não precisam sofrer isolamento total para serem tratados e não transmitirem a doença. Com os tratamentos sendo feitos corretamente e as recomendações que pessoas ao redor precisam tomar, o enfermo não deve ser isolado. A hanseníase não tem cura Assim como explicado no terceiro tópico, o avanço da ciência contribuiu para tratamentos eficazes e que tiram totalmente a possibilidade da doença se manifestar. Vale salientar que isso só ocorre caso o tratamento seja feito corretamente e, mesmo depois, é preciso estar alerta para não se contaminar novamente. O paciente em tratamento continua podendo transmitir a doença os enfermos que começam o tratamento deixam de ser transmissores logo após algumas semanas. Ainda assim, é preciso que os cuidados médicos continuem durante os seis meses (pacientes com hanseníase paucibacilar, PB) ou um ano (pacientes com hanseníase multibacilar, MB).