O glaucoma é uma doença silenciosa, mas devastadora se não for diagnosticada a tempo (Divulgação / Freepik) O glaucoma é uma doença crônica que danifica o nervo óptico — estrutura responsável por levar as imagens captadas pelos olhos até o cérebro. Essa lesão é, na maioria das vezes, provocada pelo aumento da pressão intraocular, ou seja, a pressão dentro do globo ocular. O problema é que, na maioria dos casos, a evolução é silenciosa: a pessoa não sente dor, nem percebe perda de visão até que o dano seja significativo e irreversível. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o glaucoma é a segunda maior causa de cegueira no planeta, afetando mais de 80 milhões de pessoas. No Brasil, estima-se que mais de 2 milhões convivam com algum tipo da doença — e metade delas não sabe que tem. O que causa o glaucoma? A principal causa do glaucoma é o aumento da pressão intraocular, que ocorre quando o fluido interno do olho (chamado humor aquoso) não drena corretamente. Esse acúmulo pressiona o nervo óptico e provoca danos progressivos às fibras nervosas. Porém, diversos fatores podem contribuir para o surgimento da doença: Predisposição genética: histórico familiar aumenta o risco; Idade avançada: mais comum a partir dos 40 anos; Diabetes e hipertensão arterial: doenças que comprometem a circulação sanguínea; Uso prolongado de corticoides: especialmente colírios ou medicamentos orais; Traumas oculares ou cirurgias nos olhos; Miopia ou hipermetropia acentuadas, em alguns casos. Além disso, pessoas com origem afrodescendente ou asiática apresentam maior propensão a desenvolver o tipo mais comum, o glaucoma primário de ângulo aberto. Tipos mais comuns de glaucoma Glaucoma primário de ângulo aberto É o tipo mais frequente e se desenvolve lentamente, sem sintomas aparentes. A pressão ocular aumenta gradualmente, lesionando o nervo óptico. Sintomas: perda de visão periférica, que pode passar despercebida no início. Glaucoma de ângulo fechado Menos comum, mas mais agressivo. Ocorre quando o canal de drenagem do olho é bloqueado repentinamente, elevando bruscamente a pressão ocular. Sintomas: dor intensa nos olhos, náuseas, visão turva e halos coloridos ao redor das luzes. É uma emergência médica. Glaucoma congênito Raro, aparece em bebês e crianças pequenas, causado por má-formação nas estruturas de drenagem do olho. Sintomas: olhos aumentados, lacrimejamento e sensibilidade à luz. Glaucoma secundário Surge como consequência de outras condições, como inflamações, traumas, tumores oculares ou uso de certos medicamentos. Como identificar o glaucoma precocemente O diagnóstico do glaucoma só pode ser confirmado por um oftalmologista, por meio de exames específicos: Tonometria: mede a pressão intraocular; Campimetria visual: avalia o campo de visão do paciente; Exame do nervo óptico: identifica danos no nervo; Tomografia de coerência óptica (OCT): exame detalhado das fibras nervosas. Como a doença é silenciosa, o ideal é fazer exames oftalmológicos anuais a partir dos 40 anos, ou antes, caso haja histórico familiar. Tratamento e controle Embora não tenha cura, o glaucoma pode ser controlado com tratamento adequado, evitando a progressão da perda de visão. As principais formas de tratamento são: Colírios de uso contínuo, que reduzem a pressão intraocular; Medicamentos orais, quando o colírio não é suficiente; Cirurgia a laser (trabeculoplastia), que melhora a drenagem do humor aquoso; Cirurgias convencionais, indicadas em casos mais avançados. A adesão correta ao tratamento é essencial. Interromper o uso dos colírios sem orientação médica pode fazer a pressão ocular voltar a subir rapidamente e comprometer o resultado alcançado. Dicas de prevenção e cuidados Faça exames oftalmológicos regulares, especialmente após os 40 anos; Mantenha pressão arterial e glicemia sob controle; Evite uso prolongado de corticoides sem acompanhamento médico; Proteja os olhos contra traumas e exposição excessiva à luz solar; Tenha uma alimentação rica em antioxidantes, como frutas e vegetais coloridos, que ajudam na saúde ocular. O perigo da automedicação Muitos pacientes acreditam que podem usar qualquer colírio para “lubrificar” os olhos. Porém, o uso inadequado de medicamentos com corticoide é uma das causas mais frequentes de glaucoma secundário. Sempre procure orientação médica antes de iniciar qualquer tratamento ocular.