A luz artificial emitida por aparelhos eletrônicos durante a noite altera a arquitetura do sono (Divulgação / Freepik) Dormir com a televisão ligada parece inofensivo para muitos, mas pode estar sabotando silenciosamente a saúde mental e a qualidade do sono. Um novo estudo publicado pela Northwestern University, nos Estados Unidos, em parceria com o National Institutes of Health (NIH), aponta que a exposição à luz e ao som durante o sono – como ocorre ao dormir com a TV ou outros dispositivos eletrônicos ligados – está associada a um aumento significativo no risco de insônia, ansiedade e até mesmo depressão leve. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os pesquisadores acompanharam os hábitos noturnos de mais de 500 adultos por um período de 12 meses. Os dados revelaram que aqueles que dormiam regularmente com a televisão ligada ou com luzes artificiais no ambiente apresentavam maiores níveis de alerta cerebral, mesmo durante o sono profundo. Mesmo com os olhos fechados, o cérebro ainda percebe estímulos luminosos e sonoros. Isso interfere na produção de melatonina e prejudica os ciclos naturais do sono, segundo a pesquisa. Luzes noturnas e estímulos sonoros: vilões invisíveis do descanso De acordo com o estudo, a luz artificial emitida por aparelhos eletrônicos durante a noite altera a arquitetura do sono, reduzindo a fase REM – a mais importante para a recuperação cognitiva e emocional. Além disso, sons aleatórios de programas de TV ou vídeos podem provocar microdespertares ao longo da noite, muitas vezes sem que a pessoa perceba, interrompendo os ciclos do sono e afetando o estado emocional no dia seguinte. A American Academy of Sleep Medicine (AASM) já havia alertado que o excesso de luz durante a noite, especialmente em tons azuis emitidos por telas, reduz a produção de melatonina, hormônio essencial para induzir o sono. Isso causa um desequilíbrio no ritmo circadiano, o que aumenta a chance de desenvolver transtornos como ansiedade generalizada e insônia crônica. O impacto na saúde mental Além do prejuízo ao sono, o hábito de dormir com a TV ligada está relacionado a um aumento dos sintomas de estresse e ansiedade. “O cérebro nunca relaxa completamente com estímulos constantes, ainda que sutis. Isso impede o repouso profundo, prejudicando a estabilidade emocional e a clareza mental”, reforça a psicóloga e especialista em distúrbios do sono, Dra. Letícia Prado, da Associação Brasileira do Sono (ABS). Pacientes monitorados que abandonaram o uso de televisão ou celular no quarto relataram melhora significativa na qualidade do sono, maior disposição ao acordar e redução de sintomas ansiosos em poucas semanas. A explicação está na reprogramação do corpo para reconhecer o ambiente escuro e silencioso como um "sinal de descanso", o que facilita a transição para um sono profundo e restaurador. Recomendações dos especialistas Segundo orientações da Sleep Foundation e da Organização Mundial da Saúde (OMS), para garantir uma boa higiene do sono é fundamental: Evitar qualquer tipo de luz artificial 30 a 60 minutos antes de dormir; Manter o quarto totalmente escuro durante a noite (uso de cortinas blackout ou máscaras de dormir é recomendado); Silenciar aparelhos eletrônicos ou retirá-los do quarto; Substituir a televisão por atividades relaxantes como leitura, música suave ou meditação guiada; Estabelecer uma rotina regular para dormir e acordar, mesmo nos finais de semana. Um hábito comum que precisa ser repensado Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicam que no Brasil, mais de 40% da população adulta relata dificuldades para dormir regularmente. Grande parte dessas pessoas têm o costume de adormecer com a TV ligada. Embora possa parecer um método de distração ou relaxamento, os estudos apontam que esse comportamento é prejudicial a longo prazo.