Muita gente associa a caxumba apenas ao incômodo do rosto inchado e à febre passageira. Mas a doença viral, que volta a preocupar em surtos no Brasil, pode ter consequências bem mais graves do que se imagina. Popularmente, fala-se que “a caxumba desce” quando a infecção atinge órgãos reprodutivos, como testículos e ovários e, de fato, isso pode comprometer a fertilidade tanto de homens quanto de mulheres. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O que é a caxumba e como ela se manifesta? A caxumba é uma doença viral contagiosa causada pelo paramixovírus, transmitida principalmente por gotículas de saliva no ar, contato direto com secreções ou objetos contaminados. Os sintomas mais comuns incluem: Inchaço doloroso nas glândulas salivares (principalmente parótidas, perto do ouvido); Febre; Dor de cabeça; Mal-estar; Fadiga. Apesar de geralmente ser uma doença autolimitada, especialistas alertam: as complicações são mais comuns em adolescentes e adultos que não receberam a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). Afinal, a caxumba “desce”? O termo popular “caxumba desce” se refere à capacidade do vírus de migrar para outros órgãos além das glândulas salivares. Entre os locais afetados estão: Homens: testículos, podendo causar orquite (inflamação testicular); Mulheres: ovários, com risco de ooforite (inflamação ovariana); Sistema nervoso: meningite asséptica ou encefalite; Pâncreas: pancreatite viral. Segundo o Ministério da Saúde, a orquite pós-caxumba ocorre em até 30% dos homens adultos infectados e, em casos graves, pode levar à atrofia testicular e redução da fertilidade. Riscos para homens: orquite e infertilidade Nos homens, quando a caxumba atinge os testículos, os sintomas incluem: dor intensa; inchaço escrotal; vermelhidão e febre alta. Embora a infertilidade total seja rara, a inflamação pode diminuir a produção de espermatozoides e afetar a qualidade seminal. Estudos mostram que até 15% dos homens com orquite bilateral (em ambos os testículos) podem apresentar redução significativa da fertilidade. Riscos para mulheres: impacto nos ovários Nas mulheres, a caxumba pode atingir os ovários, causando dor abdominal, febre e alteração do ciclo menstrual. Embora menos comum que nos homens, a ooforite pode prejudicar a ovulação e, em casos graves, comprometer a fertilidade. Especialistas lembram que a infecção durante a gravidez pode aumentar o risco de aborto espontâneo. Outras complicações associadas à caxumba Além do risco para a saúde reprodutiva, a caxumba pode causar: Meningite viral (até 10% dos casos complicados); Encefalite (mais rara, mas grave); Perda auditiva neurossensorial (geralmente unilateral). O papel da vacinação na prevenção A forma mais eficaz de evitar a caxumba e suas complicações é a vacinação. A tríplice viral (SRC) está disponível gratuitamente pelo SUS e deve ser aplicada em duas doses, ainda na infância. Adultos que não receberam as duas doses devem atualizar o esquema vacinal. Especialistas reforçam que, além de proteger contra a caxumba, a vacina previne sarampo e rubéola, doenças igualmente perigosas. Como agir diante de suspeita de caxumba? Procure atendimento médico imediato em caso de inchaço nas glândulas salivares ou sintomas reprodutivos; Evite automedicação; Mantenha repouso e boa hidratação; Use compressas frias para aliviar o inchaço; Homens com dor testicular devem buscar acompanhamento urgente para evitar sequelas. Perspectivas: surtos e conscientização Apesar da disponibilidade da vacina, surtos de caxumba ainda ocorrem no Brasil, especialmente em adolescentes e jovens adultos que não completaram o esquema vacinal. Especialistas defendem campanhas mais intensas de conscientização, já que a percepção de que se trata de uma doença “leve” atrapalha a adesão à vacinação.