Ex-presidente Bolsonaro foi diagnosticado com a doença neste mês. Imagem mostra como fica a pele com carcinoma de células escamosas (Reprodução Redes sociais / Divulgação) O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu, nesta semana, o diagnóstico de carcinoma de células escamosas “in situ”, um tipo de câncer de pele considerado de baixo risco quando detectado e tratado precocemente. O anúncio foi feito após exames realizados no Hospital DF Star, em Brasília, onde o ex-mandatário foi internado com sintomas como tontura, vômitos e queda de pressão arterial. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O que diz o laudo médico? Segundo informações confirmadas pela equipe médica, oito lesões cutâneas foram removidas durante procedimento realizado no último domingo (14). Duas delas foram identificadas como malignas. O laudo aponta que ambas eram carcinomas de células escamosas in situ, ou seja, lesões restritas à camada superficial da pele, sem sinais de invasão para camadas mais profundas ou de metástase. Esse detalhe é fundamental: na classificação médica, o termo “in situ” indica que o câncer está em estágio inicial e localizado, o que favorece o prognóstico. De acordo com especialistas, o tratamento realizado — a remoção cirúrgica das lesões — costuma ser suficiente para alcançar a cura na maioria dos casos. Entenda a doença O carcinoma de células escamosas (CCE) é o segundo tipo mais frequente de câncer de pele não melanoma, ficando atrás apenas do carcinoma basocelular. Embora seja menos agressivo que o melanoma, o CCE não pode ser subestimado: quando não tratado a tempo, pode invadir tecidos mais profundos, comprometer estruturas vizinhas e, em casos mais avançados, até gerar metástases. No Brasil, um país de clima tropical e intensa exposição solar, esse tipo de câncer representa um desafio crescente para o sistema de saúde. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pele não melanoma é o mais incidente em homens e mulheres, superando inclusive os tumores de mama e próstata em número absoluto de casos. Como surge o carcinoma de células escamosas O carcinoma de células escamosas se origina a partir das células escamosas da epiderme, a camada mais superficial da pele. Essas células são responsáveis por formar uma barreira protetora contra agentes externos, mas, ao longo do tempo, podem sofrer mutações no DNA devido a fatores ambientais ou internos. A principal causa é a exposição crônica e cumulativa à radiação ultravioleta (UV), proveniente do sol ou de câmaras de bronzeamento artificial. Diferentemente de queimaduras solares ocasionais, o risco aumenta com a exposição prolongada e repetida, muitas vezes sem proteção adequada. Entre os principais fatores de risco identificados pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e pela American Academy of Dermatology (AAD) estão: Pele clara, olhos e cabelos claros; Idade avançada, devido ao acúmulo de danos solares; Histórico familiar de câncer de pele; Uso frequente de bronzeamento artificial; Doenças ou medicamentos que enfraquecem o sistema imunológico; Exposição a produtos químicos como arsênico; Presença de cicatrizes antigas, feridas crônicas ou infecções de pele recorrentes. Sinais de alerta: como identificar O carcinoma de células escamosas pode se manifestar de diferentes formas, o que, em alguns casos, dificulta o diagnóstico precoce. Entre os sinais mais comuns estão: Manchas ou lesões avermelhadas que descamam; Feridas que não cicatrizam; Lesões com crostas persistentes; Áreas endurecidas, elevadas ou verrucosas na pele; Sangramentos ocasionais em regiões aparentemente superficiais. De acordo com a SBD, o diagnóstico precoce é essencial. Muitas vezes, pacientes confundem os sinais com dermatite ou até psoríase, o que retarda a procura por atendimento médico. Tratamentos disponíveis O tratamento do carcinoma de células escamosas varia conforme o estágio do tumor, o tamanho da lesão, a localização e o estado geral de saúde do paciente. As opções mais comuns são: 1. Cirurgia de remoção É a forma mais utilizada de tratamento. A ressecção cirúrgica consiste em retirar a lesão e uma margem de pele saudável ao redor, para garantir que todas as células cancerígenas sejam eliminadas. Nos casos iniciais, a taxa de cura ultrapassa 90%, segundo estudos publicados no Journal of the American Academy of Dermatology. 2. Cirurgia de Mohs Indicada para áreas delicadas, como rosto, orelhas e lábios. Nesse método, o cirurgião remove camadas sucessivas da pele e as analisa imediatamente ao microscópio, até não restarem células malignas. É altamente eficaz, com taxas de cura próximas de 99% em casos selecionados. 3. Terapias tópicas Em alguns casos iniciais ou superficiais, podem ser utilizados medicamentos em forma de creme, como o 5-fluorouracil ou o imiquimode, que destroem as células anormais localmente. 4. Radioterapia Indicada para pacientes que não podem ser submetidos à cirurgia ou quando a localização da lesão dificulta a remoção cirúrgica. 5. Tratamentos avançados Nos casos de carcinoma invasivo com risco de metástase, pode ser necessário recorrer a terapias sistêmicas, como imunoterapia ou medicamentos de última geração que atuam diretamente sobre mutações genéticas específicas. Prognóstico De acordo com o Manual MSD de Dermatologia, a maioria dos carcinomas de células escamosas é curável quando diagnosticada precocemente. Entretanto, lesões negligenciadas podem crescer rapidamente, invadir estruturas vizinhas e se espalhar para linfonodos ou órgãos distantes, exigindo tratamentos mais agressivos. O prognóstico depende essencialmente da rapidez do diagnóstico e da eficácia da intervenção. Quanto antes identificado, melhores são as chances de cura com tratamentos simples. Como prevenir? A prevenção é considerada a arma mais eficaz contra o carcinoma de células escamosas. Especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da SBD reforçam medidas que devem ser incorporadas ao dia a dia: Usar protetor solar com FPS mínimo de 30, reaplicado a cada duas horas; Evitar exposição solar entre 10h e 16h; Utilizar roupas, chapéus e óculos de sol para proteção física; Realizar autoexame da pele e observar manchas ou lesões suspeitas; Consultar dermatologistas regularmente, especialmente pessoas de pele clara ou com histórico familiar da doença. Um alerta nacional Embora o caso de Bolsonaro tenha tido grande repercussão por envolver uma figura pública, especialistas lembram que o carcinoma de células escamosas é um problema muito mais amplo. Estima-se que centenas de milhares de brasileiros sejam diagnosticados anualmente com câncer de pele não melanoma, o que faz dele o tumor mais incidente no país. Mais do que um drama individual, o episódio deve servir de alerta coletivo: identificar e tratar precocemente pode salvar vidas e reduzir a sobrecarga do sistema de saúde.