Diagnóstico precoce é o maior desafio no combate ao câncer de pâncreas, um dos tipos mais letais e que cresce no Brasil (Divulgação) O câncer de pâncreas é uma das neoplasias mais desafiadoras da oncologia: muitas vezes silencioso nos estágios iniciais, apresenta sintomas inespecíficos, diagnóstico tardio e prognóstico reservado. No Brasil, dados do INCA indicam que, para cada ano do triênio 2023-2025, serão registrados milhares de novos casos, colocando o tumor entre os que mais matam. Segundo especialistas, enfrentar o problema passa por conhecer os fatores de risco, reconhecer sinais de alerta e agir com rapidez no diagnóstico e tratamento. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O que é o câncer de pâncreas O câncer de pâncreas surge no órgão chamado pâncreas, localizado logo atrás do estômago, responsável pela produção de enzimas digestivas e hormônios como a insulina. No Brasil, o INCA destaca que este tipo de câncer normalmente não apresenta sinais nos estágios iniciais, o que favorece o diagnóstico em fase avançada. Ele ocupa a 14ª posição entre os tipos de câncer mais frequentes no país, excluindo tumores de pele não melanoma. Dados, mortalidade e contexto brasileiro A estimativa do INCA para o triênio 2023-2025 inclui o câncer de pâncreas entre os 21 principais tipos a serem monitorados no país. Em 2020, foram registradas aproximadamente 11.893 mortes por essa doença no Brasil, o que corresponde a cerca de 5,62 óbitos por 100 mil habitantes. Entre 2011 e 2020, o número de mortes anuais relacionadas ao câncer de pâncreas saltou de cerca de 7,7 mil para 11,8 mil, um aumento superior a 50%. O tumor já figura entre os dez tipos mais incidentes na região Sul do Brasil, segundo o INCA, resultado de fatores como obesidade e tabagismo. Esses números evidenciam que não se trata de uma condição rara ou pouco relevante, mas sim de uma enfermidade séria, com impacto crescente no país. Fatores de risco e por que ele cresce Especialistas apontam que a elevação dos casos de câncer de pâncreas no Brasil está relacionada a alguns fatores combinados: Idade avançada: a maior incidência ocorre em pessoas mais velhas. Tabagismo: é um dos fatores de risco mais reconhecidos para esse tipo de tumor. Obesidade, sedentarismo e dieta rica em alimentos ultraprocessados: mudanças no estilo de vida têm impacto sobre esse e outros tipos de câncer. Diabetes e pancreatite crônica: há evidências de associação entre essas condições e o câncer de pâncreas, embora a direção da relação (causa ou consequência) ainda gere debate. Sintomas, diagnóstico e desafios O problema central do câncer de pâncreas é seu comportamento silencioso. Os sintomas costumam surgir quando já há progressão da doença, o que dificulta a cura ou tratamento com sucesso. Alguns sinais comuns incluem: Dor persistente no abdômen superior ou nas costas. Perda de peso inexplicada. Icterícia (pele e olhos amarelados) quando o tumor comprime o ducto biliar. Mudanças na digestão, gordura nas fezes, ou diabetes de início recente. O diagnóstico envolve exames de imagem como tomografia ou ressonância magnética, ultrassonografia endoscópica com biópsia, além de marcadores tumoriais (embora com limitação para rastreamento populacional). Infelizmente, cerca de 80 a 90% dos casos são considerados não ressecáveis (isto é, já não passíveis de remoção cirúrgica) ao serem identificados. Tratamento e prognóstico Quando diagnosticado em estágio inicial e tratado adequadamente, existe possibilidade de intervenção cirúrgica, como a pancreatoduodenectomia (cirurgia de Whipple), combinada a quimioterapia. Contudo, na grande maioria dos casos, o prognóstico permanece desfavorável. Em linhas gerais, a sobrevida em cinco anos para esse tipo de câncer ainda é bastante baixa, refletindo o diagnóstico tardio e a agressividade da doença. Prevenção e detecção precoce A adoção de hábitos de vida saudáveis é essencial como estratégia de prevenção: Não fumar ou largar o tabagismo. Manter peso corporal saudável, praticar atividade física regularmente. Alimentação equilibrada, com menos ultraprocessados e gorduras saturadas. Controlar doenças como diabetes e pancreatite, quando presentes. Além disso, pessoas com histórico familiar ou fatores de risco elevados devem estar alertas a sintomas e buscar avaliação médica. Embora não exista ainda um programa de rastreamento populacional para câncer de pâncreas similar ao da mamografia ou do colo do útero, a consciência dos sinais e do risco pode ajudar na detecção em fase mais precoce, o que melhora o prognóstico.