(Divulgação) Nos últimos anos, o canabidiol (CBD), uma das substâncias extraídas da planta Cannabis sativa, tem ganhado espaço na medicina brasileira como alternativa terapêutica para diversas doenças. Sem os efeitos psicoativos do THC (tetrahidrocanabinol), o CBD vem sendo reconhecido por sua ação anti-inflamatória, neuromoduladora e ansiolítica, com respaldo da ciência e regulamentação da Anvisa. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O uso medicinal do CBD é permitido no Brasil desde 2015, mas passou a ser regulamentado com mais clareza a partir de 2019, com a publicação da RDC 327 da Anvisa, que autoriza a prescrição, fabricação e comercialização de produtos à base de cannabis em farmácias. Atualmente, já é possível encontrar medicamentos registrados ou autorizados para importação mediante receita médica especial. Veja a seguir quais doenças e condições clínicas já têm respaldo legal e científico para o tratamento com canabidiol no Brasil. Doenças tratadas com canabidiol autorizadas pela Anvisa 1. Epilepsia refratária A epilepsia é a condição mais estudada em relação ao CBD, especialmente os casos refratários, que não respondem aos anticonvulsivantes tradicionais. Estudos clínicos mostram que o canabidiol reduz a frequência e a intensidade das crises, especialmente em síndromes graves como Dravet e Lennox-Gastaut. A Anvisa já aprovou medicamentos com essa indicação. 2. Dor crônica Pacientes com dores crônicas, como as associadas a fibromialgia, esclerose múltipla, neuropatias e artrite reumatoide, têm se beneficiado com o uso de CBD, que atua modulando a dor sem causar dependência química, como ocorre com opioides. 3. Transtornos de ansiedade Embora ainda não haja uma indicação oficial exclusiva para "ansiedade moderada", o CBD pode ser prescrito para quadros de ansiedade generalizada, síndrome do pânico e fobia social, mediante justificativa médica. Estudos demonstram que ele atua nos receptores de serotonina, ajudando a regular o humor e a resposta ao estresse. 4. Autismo (TEA) Em casos moderados a graves do Transtorno do Espectro Autista, o CBD tem sido usado como adjuvante no controle de agitação, irritabilidade, distúrbios do sono e hiperatividade. A Anvisa autoriza sua prescrição mediante laudo médico. 5. Parkinson e Alzheimer O canabidiol tem efeito neuroprotetor e anti-inflamatório, e pode ajudar no controle de tremores, rigidez muscular, insônia e ansiedade em pacientes com doenças neurodegenerativas. Embora não haja cura, ele melhora significativamente a qualidade de vida. 6. Esclerose Múltipla Medicamentos à base de canabinoides são usados no controle da espasticidade e dor muscular em pacientes com EM, com bons resultados clínicos e melhora funcional. 7. Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT) O CBD é uma alternativa para reduzir crises de pânico, insônia e hipervigilância associadas ao TEPT. Seu efeito ansiolítico contribui para o equilíbrio do sistema nervoso central. 8. Insônia O canabidiol também pode ser indicado para melhorar a qualidade do sono, especialmente em pacientes que sofrem de insônia crônica ligada à dor, ansiedade ou depressão. Outras condições em estudo avançado Embora ainda sem aprovação oficial, o CBD tem mostrado resultados promissores em estudos clínicos para outras condições, como: Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH); Depressão resistente a medicamentos; Doenças inflamatórias intestinais (como Crohn); Câncer (como auxiliar no controle de dor, náusea e apetite durante a quimioterapia); Síndrome de Tourette; Dependência química (álcool, opiáceos, crack). Essas indicações ainda aguardam mais evidências científicas e validações regulatórias. Como é feita a prescrição de CBD no Brasil Para utilizar qualquer produto à base de canabidiol no Brasil, é necessário: Receita médica tipo B (azul), de controle especial; Laudo médico justificando o uso terapêutico do CBD; Produto registrado pela Anvisa ou com autorização de importação excepcional; Compra em farmácia credenciada ou por plataforma autorizada. O médico é o responsável por definir a dose, o tempo de uso e o tipo de formulação (óleo, cápsulas, spray sublingual ou gel). O que diz a ciência? Segundo revisões sistemáticas publicadas em periódicos como JAMA e The New England Journal of Medicine, os principais benefícios do canabidiol incluem: Redução de crises epilépticas em até 50%; Melhora no sono em pacientes com ansiedade; Redução de até 30% da dor crônica; Melhora da qualidade de vida em quadros neuropsiquiátricos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já declarou, em relatório oficial, que o canabidiol não é uma substância psicoativa, não causa dependência e tem baixo risco de efeitos colaterais, sendo seguro quando prescrito corretamente.