O impacto no relógio biológico pode prejudicar especialmente idosos, crianças e trabalhadores noturnos (Bruno Miani/ AT) Essa é a dúvida que ressurge todos os anos quando a primavera se aproxima. Embora tenha sido extinto em 2019, o tema continua a gerar debates envolvendo governo, setor elétrico, especialistas em saúde e consumidores. De acordo com informações do Ministério de Minas e Energia (MME), a volta da medida não está descartada, mas, por enquanto, não há decisão oficial para sua retomada. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O que diz o governo? Segundo a pasta, estudos recentes indicam que o horário de verão não gera mais economia significativa de energia, que era seu principal objetivo quando foi criado. Com a modernização do sistema elétrico e a mudança nos hábitos de consumo — principalmente pelo uso intenso de aparelhos de ar-condicionado , a medida teria perdido impacto na redução de custos. Por outro lado, o governo admite que a discussão permanece aberta, especialmente diante do aumento da demanda por energia nos meses mais quentes. A avaliação leva em conta, além do consumo elétrico, os efeitos sobre a saúde da população e até mesmo no comércio e turismo. Por que o horário de verão foi extinto? O horário de verão deixou de ser adotado em 2019, após estudos da Operadora Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e do próprio MME. As pesquisas mostraram que: A economia de energia havia caído de 4,5% na década de 1990 para menos de 1% em 2017. O consumo no horário de pico já não coincidia com a hora de maior luminosidade solar. O impacto na saúde, como alterações no sono, fadiga e aumento de risco cardiovascular, pesou na decisão de suspender a prática. Os argumentos a favor Apesar da decisão oficial, defensores da volta do horário de verão levantam pontos importantes: Comércio e turismo: setores alegam que os dias mais longos estimulam as pessoas a saírem de casa, aumentando as vendas. Segurança: há quem defenda que mais horas de luz natural contribuem para a redução de crimes no fim da tarde. Qualidade de vida: parte da população gosta da ideia de “aproveitar mais o dia”. E os argumentos contra Já os críticos reforçam que: Não há economia de energia relevante. O impacto no relógio biológico pode prejudicar especialmente idosos, crianças e trabalhadores noturnos. O Brasil, por sua dimensão continental, tem regiões onde o horário de verão gera pouco ou nenhum efeito. Vai voltar em 2025? Até agora, o governo não anunciou nenhuma medida para retomar a mudança no relógio neste ano. Especialistas ouvidos pelo MME e ONS reiteram que a prática não tem mais justificativa técnica do ponto de vista energético. No entanto, a possibilidade de reabrir a discussão sempre aparece em períodos de altas temperaturas e consumo elevado de energia elétrica, o que mantém o tema vivo na agenda pública.