(Waldemir Barreto/Senado Federal ) O plenário do Senado deve votar nesta terça-feira (25) um projeto considerado uma pauta-bomba pelo Ministério da Fazenda. A proposta restabelece integralidade e paridade nas aposentadorias dos agentes comunitários de saúde (ACSs) e agentes de combate às endemias (ACEs), benefícios extintos na reforma previdenciária de 2003. Se aprovada, a matéria segue para análise da Câmara dos Deputados. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo técnicos do Congresso, uma PEC semelhante aprovada pelos deputados geraria um impacto fiscal negativo de R\$ 11 bilhões nos próximos três anos, o que acendeu o sinal vermelho na equipe econômica. A votação ocorre em meio a uma movimentação política intensa no Senado. Pouco mais de duas horas após a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, à vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou que o projeto seria colocado na pauta desta terça. Proposta prevê aposentadoria especial para a categoria A proposta, já aprovada na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), prevê regras mais brandas de aposentadoria para ACSs e ACEs, considerando os riscos da atividade desempenhada. O texto restabelece: Integralidade: aposentadoria com valor equivalente ao último salário; Paridade: reajustes iguais aos dos servidores da ativa; Regra de transição: possibilidade de aposentadoria a partir dos 50 anos de idade. Até então, a categoria não estava enquadrada como beneficiária de aposentadoria especial. Fazenda se surpreende e faz apelo para que projeto não seja votado A decisão de Alcolumbre surpreendeu o Ministério da Fazenda, que não esperava o avanço da matéria. Nesta segunda-feira, o secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, fez um apelo público para que o projeto não fosse votado, destacando o impacto fiscal e a falta de debate técnico. "Eu faço aqui um apelo. Esse projeto de lei tem impacto muito grande aos cofres públicos, é muito ruim do ponto de vista da economia e não deveria ser aprovado em um contexto que não tenha uma grande discussão, com contas na mesa e avaliação do impacto", disse Durigan, em coletiva. O governo já trabalha nos bastidores para tentar barrar o avanço da proposta. Caso seja aprovada pelo Congresso, o Executivo promete vetar o texto. Clima tenso no Congresso A votação ocorre em um momento em que o governo tenta evitar novas derrotas no Congresso, após sucessivos embates com parlamentares em pautas de impacto fiscal. Analistas políticos apontam que a postura de Alcolumbre lembra movimentos feitos no passado por líderes do Legislativo para pressionar o Executivo. Próximos passos Se o projeto for aprovado hoje no Senado, ainda terá de passar por votação na Câmara dos Deputados. A expectativa é de que a categoria pressione pela aprovação, enquanto o governo deve intensificar articulações para evitar um novo desgaste e maior pressão sobre as contas públicas. A equipe econômica reforça que o impacto da proposta poderia comprometer o equilíbrio fiscal e trazer consequências diretas ao orçamento dos próximos anos. Com informações do jornal o Globo.