Estados como Ceará, Pernambuco e Bahia, importantes produtores, registram perdas significativas de frutas (FreePik) O Nordeste brasileiro enfrenta uma seca recorde em 2025, que tem provocado sérios impactos na produção agrícola, especialmente na fruticultura. Estados como Ceará, Pernambuco e Bahia, importantes produtores de manga, melancia, goiaba e outras frutas tropicais, registram perdas significativas devido à falta de chuvas e restrição no uso de água para irrigação. Estiagem agrava perdas na produção de frutas Dados do Monitor de Secas do governo federal mostram que o número de municípios afetados por seca moderada a extrema no Nordeste cresceu 68,5% entre fevereiro e março de 2025, chegando a mais de 1.300 municípios. Essa crise hídrica tem reduzido drasticamente a capacidade produtiva dos agricultores locais, com impacto direto em frutas como manga — cuja produção já teve quedas de até 25% em anos anteriores em situações semelhantes — e melancia, cultivos que demandam irrigação constante para garantir qualidade e produtividade. Queda na oferta e riscos para o abastecimento A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) alerta que a redução na produção pode comprometer a oferta dessas frutas no mercado nacional, uma vez que o Nordeste responde por parcela significativa da produção desses itens, especialmente na entressafra de outras regiões. A expectativa é de que a diminuição na colheita afete tanto o abastecimento em feiras, supermercados e hortifrutis quanto a cadeia de exportação. Consequências para consumidores e comércio Com a oferta reduzida, especialistas do Ministério da Agricultura destacam a possibilidade de elevação nos preços das frutas mais afetadas, como manga, melancia e goiaba, prejudicando principalmente consumidores de baixa renda, para quem o aumento pode limitar o acesso a esses alimentos. Segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), frutas frescas são essenciais para a dieta equilibrada, e a dificuldade em adquiri-las pode impactar a segurança alimentar. Além do aumento nos preços, a seca prolongada ameaça a renda dos pequenos e médios produtores que dependem da fruticultura para sua subsistência. Órgãos como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) têm reforçado programas de assistência técnica e crédito rural para auxiliar na adaptação das propriedades às condições adversas, incluindo o uso de irrigação eficiente e cultivo de variedades resistentes. Previsões e medidas de enfrentamento O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) projeta continuidade da estiagem com chuvas abaixo da média histórica nos próximos meses, o que pode estender os desafios para a agricultura. Em resposta, governos estaduais e o Ministério da Agricultura têm ampliado ações emergenciais, como a perfuração de poços artesianos, distribuição de cisternas e linhas de crédito especiais para fomentar tecnologias de irrigação. Especialistas enfatizam que, para minimizar os efeitos das mudanças climáticas e garantir a sustentabilidade da fruticultura no Nordeste, é fundamental investir em infraestrutura hídrica, pesquisa agrícola e políticas públicas que promovam resiliência, além de fortalecer a capacidade produtiva e de comercialização dos agricultores.