No primeiro trimestre de 2025, o segmento da linha marrom atingiu a marca de 3,7 milhões de unidades produzidas: impacto é multifacetado (Adobe Stock) A forte demanda por parte do varejo, impulsionada pelo desejo dos consumidores por novas tecnologias, é um dos fatores que tiveram um papel crucial no crescimento da indústria de eletroeletrônicos, a chamada linha marrom. O diagnóstico é de Jorge Nascimento, presidente executivo da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros). A entidade reúne e representa as maiores e mais importantes indústrias nacionais de eletrodomésticos e eletroeletrônicos do País. “O crescimento observado pode ser atribuído a uma combinação de fatores. Essa forte demanda é um deles. Acredito que essa trajetória ascendente pode persistir nos próximos meses. No entanto, devemos considerar que o cenário econômico atual é diferente do registrado no ano passado”, argumenta. Nascimento lembra que há um contexto de juros elevados e inflação pesando especialmente sobre os alimentos, o que acaba comprometendo a renda e prejudicando o consumo de forma geral. “Nesse sentido, se registrarmos um crescimento de 5% neste ano, já nos parece um bom resultado, especialmente considerando que temos como referência uma base comparativa robusta. Em 2024, nosso setor registrou o melhor desempenho dos últimos 10 anos”, detalha. No primeiro trimestre de 2025, o segmento da linha marrom, que abrange produtos como televisores, equipamentos de áudio e videogames, atingiu a marca de 3,7 milhões de unidades produzidas. “Esse volume representa um notável incremento de 17,8% em comparação com o mesmo período de 2021, evidenciando um desempenho expressivo do setor”, afirma Nascimento. O impacto positivo desses números, segundo o presidente executivo da Eletros, é multifacetado. “Primeiramente, o aumento da produção industrial contribui para o crescimento econômico do País. Adicionalmente, a expansão do setor gera empregos, eleva a renda da população, fortalece a cadeia produtiva e incrementa a arrecadação de impostos, resultando em benefícios abrangentes para a economia brasileira”, explica. Desafios e sustentabilidade Nascimento lembra que o setor enfrenta desafios complexos e estruturais. “A elevada carga tributária, a complexidade do ambiente regulatório, a infraestrutura ainda deficiente e a concorrência desleal seguem como entraves importantes à competitividade. Além disso, o cenário macroeconômico impõe incertezas, com juros elevados e restrições ao consumo”, afirma. O presidente executivo da Eletros acrescenta que também é essencial garantir segurança jurídica e previsibilidade para que as empresas possam investir em inovação, transição tecnológica e sustentabilidade. “Nesse contexto, o diálogo com o governo e a atuação conjunta com órgãos reguladores têm sido fundamentais para superar obstáculos e construir um ambiente mais favorável ao desenvolvimento da indústria”, revela. Falando em sustentabilidade, o tema tem se tornado uma prioridade crescente para as empresas do setor, ressalta Nascimento. “Observamos um aumento nos investimentos em tecnologias mais eficientes e em processos produtivos mais limpos, visando reduzir o impacto ambiental. Recentemente, a Eletros promoveu uma série de seminários sobre economia circular, reunindo especialistas dos mais diversos. O objetivo foi aprofundar o conhecimento técnico, difundir boas práticas e fomentar a transformação sustentável da indústria”. A entidade também passou a acompanhar os trabalhos do Comitê Técnico da Indústria de Baixo Carbono, a convite do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e participou da aprovação do Plano Nacional de Economia Circular, representando o setor eletroeletrônico nesse processo estratégico. Ascensão O dirigente da Eletros acredita que o setor de eletroeletrônicos possui um considerável potencial de crescimento nos próximos anos. “Com a gradual retomada da economia, os avanços tecnológicos e o aumento da conscientização dos consumidores em relação aos produtos eletrônicos, a demanda tende a se manter em ascensão. Para capitalizar esse potencial, é imperativo que as empresas invistam continuamente em inovação, aprimoramento da qualidade e práticas sustentáveis”, finaliza.