Fora do Brasil, alguns casos ilustram a importância desse recurso (Adobe Stock) O uso da inteligência artificial nas investigações criminais está, a cada dia, mais perto de deixar de ser exclusividade dos filmes e séries. Porém, uma portaria de junho deste ano, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, estabelece diretrizes para o uso de tecnologias da informação nas atividades de investigação criminal e inteligência de segurança pública, com foco na proteção de direitos fundamentais e na segurança dos dados. Ou seja: mesmo para incorporar o futuro, há regras claras. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o texto, no que se refere ao uso de IA, fica estabelecido que deve respeitar os direitos fundamentais e evitar riscos; a identificação biométrica remota em tempo real é restrita a casos graves e exige autorização judicial, salvo exceções como flagrantes ou buscas de desaparecidos; e as aplicações de IA devem passar por revisão humana em casos de risco. Exemplos Fora do Brasil, alguns casos ilustram a importância desse recurso. Em 2013, após o atentado na Maratona de Boston, nos Estados Unidos, imagens de centenas de câmeras foram analisadas com o auxílio de softwares de IA para reconhecimento facial. Isso permitiu identificar os irmãos Dzhokhar e Tamerlan Tsarnaev como suspeitos do ataque, acelerando sua localização. Dzhokhar foi condenado à morte; já o irmão foi morto durante uma ação policial. Foram, ao todo, 3 mortos e 264 feridos no atentado. Outro caso foi o do Assassino de Golden State, em Los Angeles, também nos Estados Unidos. O criminoso, Joseph James DeAngelo Jr., se declarou culpado de 26 assassinatos em 2018 — décadas após cometer os crimes. A polícia local conseguiu encontrá-lo após tanto tempo graças à análise de DNA com auxílio de IA. Os investigadores enviaram o código genético coletado durante as investigações para uma plataforma chamada GEDmatch, que analisa milhares de amostras para encontrar correspondências. Comparando a amostra com bancos de dados públicos de DNA, modelos de IA puderam identificar a quem aquele material genético poderia pertencer. Essas mesmas plataformas de análise genética ajudaram os investigadores a montar a árvore genealógica do autor dos crimes, até chegar a um único suspeito. Fazer isso sem o uso de algoritmos avançados levaria muito mais tempo e poderia ter mais erros — mas a IA ajudou a solucionar um caso que já durava décadas. No Brasil, o Distrito Federal possui, desde o ano passado, o Núcleo de Inteligência Artificial do Instituto de Criminalística (IC), da Polícia Civil do DF (PCDF). O grupo, que conta com peritos experientes e estudiosos do tema, conseguiu, graças à tecnologia, por exemplo, a identificação dos principais estelionatários que usavam documentos de moradores do DF. Morto "fala" com assassino Uma versão gerada por inteligência artificial de uma vítima de homicídio foi usada para se dirigir ao homem condenado por sua morte nos Estados Unidos. O episódio ocorreu durante a sentença de Gabriel Paul Horcasitas, de 54 anos, responsável pela morte de Christopher Pelkey, em 2021, após uma briga de trânsito. A família de Pelkey recorreu à tecnologia para criar um vídeo com a imagem e voz simuladas da vítima. No depoimento, a recriação digital de Pelkey lamenta o encontro com Horcasitas nas circunstâncias do crime. “Eu acredito no perdão e em um Deus que perdoa. Sempre acreditei e ainda acredito”, declarou a simulação. O crime aconteceu em 13 de novembro de 2021 e Horcasitas foi condenado por homicídio culposo a 10 anos e meio de prisão. (Adobe Stock) SSP utiliza em cruzamento e análise de dados e imagens De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), soluções baseadas em inteligência artificial (IA) fazem parte da incorporação de tecnologias de ponta. Ela ocorre, principalmente, no cruzamento e análise de grandes volumes de dados e imagens, o que tem agilizado o trabalho investigativo e aumentado a eficiência das operações policiais. O sistema é aplicado, por exemplo, no reconhecimento de padrões criminosos, identificação de veículos com queixa de furto ou roubo, e localização de pessoas desaparecidas ou procuradas pela Justiça”, diz a SSP, em nota. As soluções tecnológicas integram o Programa Muralha Paulista. A medida alia tecnologia de IA com inteligência policial e integra bases de dados e sistemas de vídeo monitoramento já existentes, principalmente em municípios e órgãos públicos do Estado. Na Baixada Santista, Praia G<CW-6>rande é um dos municípios 100% integrados, enquanto Santos está no início da integração. A participação no programa ocorre por meio da assinatura de um termo de cooperação, que viabiliza o compartilhamento de imagens e dados.