Nova medida do INSS enfrenta passivo que atinge cerca de 3 milhões de pessoas (Joédson Alves/ Agência Brasil) A decisão do INSS de instituir uma fila única nacional para a análise de benefícios previdenciários e assistenciais é vista por especialistas no tema como um avanço relevante na gestão pública ao permitir a redistribuição de processos entre diferentes regiões do Brasil e a otimização da força de trabalho. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A medida, publicada na última semana no Diário Oficial da União, integra mudanças no Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB) e tem como objetivo central reduzir o tempo de espera dos segurados. Atualmente, cerca de 3 milhões de pessoas aguardam uma resposta do INSS, número que, segundo os especialistas, revela um desafio que extrapola a esfera administrativa e alcança o campo social e econômico. “A fila única é uma solução tecnicamente adequada para enfrentar desigualdades regionais e tornar o sistema mais eficiente, mas ela também evidencia o tamanho do passivo acumulado. Não podemos tratar a fila como algo estrutural. Benefícios previdenciários têm natureza alimentar e o atraso compromete a subsistência de milhões de famílias”, avalia o advogado João Badari, especialista em Direito Previdenciário. Segundo dados do próprio INSS, aproximadamente 80% da fila é composta por pedidos de Benefício de Prestação Continuada (BPC) e benefícios por incapacidade. São requerimentos que envolvem, em sua maioria, pessoas em situação de extrema vulnerabilidade social, trabalhadores afastados por doença ou acidente e idosos que já cumpriram décadas de contribuição. “O impacto econômico desse atraso é direto e profundo. Quando o benefício não chega, o cidadão deixa de consumir, de pagar contas básicas e, muitas vezes, depende de endividamento ou de ajuda informal para sobreviver. Do ponto de vista jurídico e social, não se trata de favor do Estado, mas do cumprimento de um direito fundamental previsto na Constituição”, explica o advogado Ruslan Stuchi, sócio do Stuchi Advogados. De acordo com o presidente do INSS, Gilberto Waller, a nacionalização da fila permitirá que servidores de regiões com melhores indicadores de desempenho atuem em processos de localidades onde a espera é maior. Dados indicam que o tempo médio de concessão de benefícios caiu para 35 dias em outubro de 2025, após ter alcançado 64 dias em março do mesmo ano. Para João Badari, a redução do prazo médio é positiva, mas ainda insuficiente diante da dimensão do problema. “O Brasil possui um sistema previdenciário robusto e frequentemente citado como referência internacional. Justamente por isso, não é razoável conviver com filas tão expressivas. Cada mês de atraso representa perda de dignidade para quem depende exclusivamente desse recurso”, destaca. Gestão e bônus tentam conter crescimento Criado pela Lei Federal 15.201/2025, o Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB) prevê mecanismos de incentivo, como o Pagamento Extraordinário do Programa de Gerenciamento de Benefícios, que bonifica peritos e servidores por atividades além da capacidade habitual, além de estabelecer limites diários, critérios de qualidade e controle. Em novembro de 2025, após um aumento de 23% no volume de novos processos, o INSS também instituiu um comitê estratégico para monitorar e propor soluções para reduzir a fila. Na avaliação de Ruslan Stuchi, iniciativas como essas demonstram disposição do governo em enfrentar o problema, mas precisam de continuidade. “A reorganização administrativa é indispensável, porém o verdadeiro sucesso será medido quando o cidadão deixar de esperar e passar a receber, no tempo devido, aquilo que a lei já lhe assegura”. João Badari diz que a fila do INSS segue como termômetro sensível da eficiência do Estado na entrega de direitos fundamentais. Mais informações pelo site www.previdenciatotal.com.br