No interior de Estado, estudantes criam robôs que solucionam problemas reais, como saneamento básico e combate ao mosquito Aedes aegypti (FreePik) A robótica educacional deixou de ser promessa para se consolidar como realidade em diversas escolas brasileiras em 2025. Em Indaiatuba, interior de São Paulo, mais de 16 mil alunos do ensino fundamental participam de aulas práticas desde fevereiro. Os estudantes criam robôs que solucionam problemas reais, como saneamento básico e combate ao mosquito Aedes aegypti, além de protótipos automatizados representando pontos turísticos locais. As aulas integram montagem, programação e fases de descoberta, criação e compartilhamento, estimulando pensamento computacional, criatividade e trabalho em equipe. Essa transformação é reflexo direto da Política Nacional de Educação Digital, sancionada em 2023, que tornou obrigatórios no currículo temas como computação, programação e robótica para o ensino fundamental e médio. A lei entrou em vigor em novembro de 2023 após o Congresso derrubar vetos presidenciais, garantindo a implementação plena dos conteúdos digitais nas escolas. No entanto, enquanto alguns municípios avançam, outros permanecem sem estrutura nem professores capacitados para aplicar a nova regra. Avanços isolados mostram impacto imediato Em Indaiatuba, o projeto começou em 2023 com alunos do fundamental I e se expandiu em 2025 para mais de 28 escolas, envolvendo toda a rede municipal. Além das aulas regulares, o município promove torneios anuais que premiam projetos inovadores. Em outubro de 2024, o 2º Torneio Municipal de Robótica reuniu 28 escolas, premiando ideias aplicáveis em áreas como inteligência artificial e automação. Em outros estados, o Tocantins distribuiu kits de robótica para mais de 82 mil estudantes do ensino médio em 2025. No Mato Grosso, cerca de 34 mil alunos participam de projetos semelhantes desde 2020. No Pará, professores e estudantes de 20 escolas públicas passaram por formação online em robótica. No Distrito Federal, oficinas vinculadas à Olimpíada Brasileira de Robótica renderam premiações nacionais a escolas públicas. Alunos sem robótica podem perder empregos do futuro Os resultados pedagógicos comprovam o impacto. Levantamentos do SESI mostram que 43% dos estudantes que participam de projetos de robótica passam a considerar carreiras em engenharia, enquanto 20% se interessam por cursos na área da saúde. Pesquisa com alunos do SESI apontou que 94% aumentaram o interesse por disciplinas de exatas, 50% melhoraram as notas e 76% desenvolveram maior criatividade. A expansão rápida, no entanto, exige investimentos urgentes em formação docente e infraestrutura escolar para garantir que o potencial educacional da robótica seja plenamente utilizado. Especialistas alertam que, sem robótica no currículo, os alunos brasileiros correm o risco de perder espaço no mercado de trabalho cada vez mais tecnológico e automatizado. A robótica escolar, além de cumprir a legislação federal, aproxima a educação brasileira das tendências globais de ensino STEAM, que unem ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática. Essa prática prepara crianças e adolescentes para profissões do futuro, desenvolvendo habilidades como resolução de problemas complexos, trabalho em equipe, pensamento crítico e inovação.