Os ventos fortes atingiram a região sul do País; tornado atingiu o Paraná e causou destruição total em algumas cidades (Reprodução / Redes Sociais) Um ciclone extratropical, formado sobre a Região Sul entre essa sexta-feira (7) e sábado (8), provocou ventos fortes, chuva intensa e queda de temperatura em extensas áreas do Sul e do Sudeste do Brasil. O sistema, uma área de baixa pressão que se organizou próximo à costa, impulsionou uma frente fria que avançou para o Sudeste, causando rajadas que em alguns pontos podem superar os 100 km/h e deixando diversas cidades em regime de alerta meteorológico. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Como se forma um ciclone extratropical Ciclones extratropicais são sistemas de baixa pressão associados a grandes contrastes de temperatura entre massas de ar diferentes ( ar frio polar e ar quente subtropical). Ao contrário de furacões tropicais, que nascem sobre águas muito quentes e têm núcleo quente, os ciclones extratropicais formam-se nas latitudes médias e se alimentam do gradiente térmico,a diferença de temperatura entre frentes frias e quentes, e da instabilidade gerada por esse contraste. No Hemisfério Sul os ventos circulam em sentido horário ao redor do centro de baixa pressão, e quando o sistema se aproxima do continente pode intensificar ventos costeiros, causar agitação marítima (ressaca) e espalhar nuvens convectivas que provocam temporais. Climatempo O episódio que atingiu o Brasil No evento atual, a organização de um centro de baixa pressão sobre o Sul do Brasil, combinada com a chegada de ar frio de origem polar e a atuação de um forte fluxo de umidade, gerou uma frente fria ativa que se deslocou em direção ao Sudeste. A posição relativamente próxima do litoral fez com que áreas do Sul e litorais do Sudeste sentissem ventos muito fortes e chuva em curtos períodos. Modelos e observações indicaram centros de pressão próximos de 100 KM/h em alguns momentos, condição que costuma intensificar o gradiente de pressão e, consequentemente, as rajadas. Onde e por que os ventos foram tão fortes Regiões afetadas: todo o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná sentiram ventania, com impacto estendido ao interior e ao litoral de São Paulo, Rio de Janeiro, sul de Minas e Espírito Santo em menor intensidade. Intensidade: a previsão e as observações apontaram rajadas típicas entre 60–85 km/h na maioria das áreas; em pontos serranos e litorâneos as rajadas podiam superar 100 km/h. Esses picos ocorrem quando o centro do ciclone está próximo e há canais de vento reforçados por relevo e por correntes convectivas (linhas de instabilidade). Climatempo Por que alguns locais têm rajadas maiores: relevo (serras), efeito de canalização entre vales e o encontro da circulação ciclônica com ventos mais fortes em níveis médios da atmosfera intensificam as rajadas locais. Além disso, nuvens cumulonimbus associadas à frente fria podem produzir rajadas por microexplosões ou descargas convectivas. Climatempo Alertas e dados oficiais O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) publicou comunicados e avisos meteorológicos indicando perigo de tempestades e de ventania em partes do Sul e Sudeste, com níveis de severidade que variaram conforme a região. Agências meteorológicas e serviços locais orientaram a população a evitar áreas costeiras durante a ressaca, a proteger objetos soltos e a seguir instruções das defesas civis municipais. I Exemplos de observações recentes (dados compilados por serviços meteorológicos durante episódios no mês): rajadas próximas a 99 km/h em Santiago (RS) e 96 km/h em Marechal Cândido Rondon (PR) em eventos anteriores — números que ajudam a dimensionar o risco quando um ciclone se organiza tão próximo ao continente. Quais são os principais riscos e impactos Ventania: queda de árvores, destelhamento de casas, quedas de energia e danos em estruturas frágeis. Chuvas fortes e temporais: alagamentos rápidos em áreas urbanas, risco de deslizamentos em encostas saturadas. Ressaca: marítima com ondas altas, risco para embarcações e erosão costeira; praias e acostamentos costeiros podem ficar perigosos. Fenômenos associados: possibilidade de granizo em núcleos convectivos intensos e ocorrência rara de microexplosões atmosféricas que geram rajadas extremas de vento localizadas. Recomendações para a população Siga os alertas oficiais do INMET e da Defesa Civil local. Os avisos trazem informações regionais e níveis de severidade. INMET Afaste-se da orla durante eventos de ressaca e não circule por áreas alagadas. Proteja objetos soltos (toldos, móveis de varanda, placas) e reforce cobertura frágil quando possível. Evite encostas em casos de chuva intensa; procure abrigos seguros em locais elevados e estáveis. Tenha um kit de emergência com água, lanternas, carregador portátil e documentos em local à prova de umidade.