O custo da cesta básica aumentou em 16 das 17 capitais brasileiras pesquisadas em junho (Vanessa Rodrigues / AT) Com o segundo semestre já em curso, o consumidor brasileiro deve preparar o bolso: os preços da cesta básica tendem a subir de forma moderada até o fim do ano. A previsão é de especialistas, que apontam fatores climáticos, variações cambiais e o aumento nos custos de produção como os principais vetores do reajuste. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! O levantamento mais recente do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) indica que, em junho de 2025, o custo da cesta básica aumentou em 16 das 17 capitais brasileiras pesquisadas, com destaque para São Paulo, Florianópolis e Vitória, onde o valor ultrapassa os R\$ 800. Por que os preços devem subir? A previsão de alta nos preços da cesta básica está ligada a três pilares principais, segundo análise de consultores econômicos: Clima desfavorável – Regiões produtoras de arroz, feijão e hortaliças enfrentaram períodos de seca e excesso de chuvas em diferentes momentos de 2025, afetando o abastecimento e a oferta. Alta nos combustíveis e no transporte – O reajuste nos preços do diesel e da logística encarece o custo final dos alimentos, especialmente os que vêm de regiões mais distantes. Dólar valorizado – A moeda norte-americana mais cara influencia diretamente o preço de insumos agrícolas e fertilizantes importados, além de estimular a exportação de grãos, o que reduz a oferta interna. Quais alimentos devem pesar mais no bolso? A projeção de especialistas é que os maiores aumentos até dezembro se concentrem em itens de alta frequência na mesa dos brasileiros. Veja os produtos com tendência de aumento moderado: Arroz e feijão – impacto direto do clima e da safra menor em algumas regiões do Sul. Óleo de soja – demanda externa aquecida e pressão de exportações. Leite e derivados – entressafra e custos de produção mais altos. Frutas e hortaliças – sensíveis ao clima e ao transporte. Café – mercado internacional em alta e estoques reduzidos. Por outro lado, produtos como açúcar, pão francês e carnes suínas devem apresentar variação menor, com possíveis períodos de estabilidade, segundo o Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV). O que dizem os dados mais recentes? Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, os alimentos e bebidas subiram 0,45% no mês. No acumulado dos últimos 12 meses, a alta é de 3,7%, ficando acima da meta do Banco Central para o período. O Dieese ainda destaca que o tempo médio necessário para adquirir a cesta básica compromete 47% do salário mínimo, o que pressiona especialmente as famílias de baixa renda. Como driblar os aumentos? Economistas e nutricionistas orientam que algumas estratégias simples podem ajudar o consumidor a economizar, mesmo diante dos aumentos previstos: Aposte na sazonalidade: frutas e verduras da estação são mais baratas e frescas. Compre a granel: arroz, feijão, farinhas e cereais costumam ser mais econômicos nessa forma. Evite compras pequenas diárias: planeje e compre em maior volume semanal ou quinzenal. Compare preços entre mercados e feiras: a diferença pode ser significativa. Substitua itens mais caros por equivalentes nutricionais (ex: trocar carne bovina por ovos e leguminosas).