Papa Francisco promete combate total à pedofilia na Igreja Católica

Francisco reconheceu que o problema é 'universal e transversal, e infelizmente se observa em quase todas as partes'

Por: France Presse  -  25/02/19  -  18:56
No último dia de reunião histórica, Papa Francisco fez longo discurso
No último dia de reunião histórica, Papa Francisco fez longo discurso   Foto: Vincenzo Pinto / AFP

O papa Francisco se comprometeu, no último domingo (24), a combater todos os casos de abuso sexual na Igreja com a “máxima seriedade”, no último dia da reunião histórica para debater a luta contra a pedofilia na instituição.


Eu um longo discurso, o pontífice comparou a “praga” dos abusos sexuais de menores de idade com as práticas religiosas do passado, de oferecer seres humanos em sacrifício, e reconheceu que este é um problema “universal e transversal que infelizmente se observa em quase todas as partes”.


“Gostaria de reafirmar com clareza: se na Igreja for descoberto um só caso de abuso — que por si só representa uma monstruosidade —, este caso será enfrentado com a máxima seriedade”, declarou aos líderes das 114 conferências episcopais de todo o mundo, secretários de congregações, bispos e cardeais reunidos na Sala Regia do Vaticano.


Francisco, que ao abrir na quinta-feira (21) os três dias de debates prometeu “medidas concretas e eficazes”, anunciou que a Igreja se compromete a aplicar as estratégias das organizações internacionais, incluindo a ONU e a Organização Mundial da Saúde, para erradicar a pedofilia “da face da Terra”.


O pontífice disse que o abusador “é um instrumento de satanás”, antes de recordar que a Igreja está diante de uma manifestação do mal “descarada, destrutiva e agressiva”.


O discurso foi mal recebido por algumas vítimas presentes em Roma, que esperavam uma resposta mais contundente. 


“Apenas bla, bla, bla. Tudo culpa do diabo. Não me surpreende, me decepciona”, declarou o suíço Jean Marie Furbringer, de uma associação de vítimas.


Durante a reunião inédita, a cúpula da Igreja fez um mea culpa e admitiu os próprios erros depois de acobertar o fenômeno durante décadas. Uma revolução “copernicana” para a Igreja, como disse no sábado (23) o cardeal australiano Mark Benedict Coleridge.


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