Juan Guaidó quer apoio em bloco da União Europeia

Líder da oposição venezuelana também articula entrada de ajuda humanitária no país

Por: France Presse  -  07/02/19  -  20:10
Guaidó, autoproclamado presidente em exercício, acena após reunião com produtores agrícolas da nação
Guaidó, autoproclamado presidente em exercício, acena após reunião com produtores agrícolas da nação   Foto: Federico Parra/France Presse

O líder opositor venezuelano Juan Guaidó, reconhecido por 40 países como presidente interino da Venezuela, redobrou, na quarta-feira (6), seus esforços para obter apoio em bloco da União Europeia (UE) e fazer entrar a ajuda humanitária, após receber um novo impulso dos Estados Unidos.


Guaidó se reuniu com delegados da UE e disse avançar em seu plano para que entre, a partir da Colômbia, a ajuda enviada pelos Estados Unidos – cujo presidente, Donald Trump, ratificou o apoio em seu discurso anual na noite de terça-feira e receberá, no próximo dia 13, o chefe de Estado colombiano, Iván Duque, para tratar da crise venezuelana.


“Conversamos com representantes da UE para consolidar seu apoio à transição democrática. Agradecemos o reconhecimento aos esforços empreendidos por resgatar nossa liberdade”, disse Guaidó, de 35 anos.


Ao expirar um ultimato dado ao presidente Nicolás Maduro para que convoque uma eleição presidencial, cerca de 20 países encabeçados por Espanha, França e Alemanha reconheceram Guaidó, na segunda-feira, como presidente interino, mas a Itália impediu um apoio em bloco da UE.


Buscando convencer Roma, Guaidó solicitou ao vice-primeiro-ministro e ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, que receba delegados da oposição venezuelana, para explicar seu “plano de transição para recuperar a democracia na Venezuela”.


Um encontro com Salvini foi fixado para a próxima segunda-feira, dia 11, na sede do ministério do Interior, informou a entidade, sem revelar a hora.


O reconhecimento europeu se somou ao dos Estados Unidos – país com o qual Maduro rompeu relações diplomáticas pelo apoio a Guaidó –, Canadá e uma dezena de países latino-americanos, incluindo o Brasil.


“Pretendeu-se montar um governo paralelo fracassado, que não existe, virtual”, declarou Maduro na quarta-feira à emissora russa RT. Ele conta entre seus aliados com Rússia, China, Irã e Turquia.


Guaidó pedirá à UE a “proteção” de contas e ativos venezuelanos, como fez Washington, que embargará a compra de petróleo venezuelano a partir de 28 de abril.


Em declarações à RIA Novosti, o representante da Venezuela na OPEP, Ronny Romero, disse que os 500 mil barris vendidos aos Estados Unidos “serão redirecionados a outros clientes em Europa e Ásia”. “Rússia e China não se importam com as sanções de Washington”, acrescentou.


Ponte bloqueada


Militares venezuelanos bloquearam com três caminhões a ponte de Tienditas, na fronteira com a Colômbia, onde está um centro de fornecimento de ajuda, embora a oposição ainda não anuncie por onde, como ou quando entrará a carga. “Pedimos aos militares que deixem a ajuda entrar”, disse Guaidó. 


Solução papal


O opositor Juan Guaidó pediu na quarta-feira ao papa Francisco que convença o presidente Nicolás Maduro a deixar o poder. Guaidó pediu a Francisco para “mostrar” a Maduro a necessidade de “avançar para um processo de transição ordenada que estabilize o país”. “O tempo é outro na Venezuela”, disse o chefe do parlamento de maioria opositora, referindo-se à possibilidade de um diálogo com a mediação do pontífice, também solicitado pelo governante socialista.


No fim do mês passado, o papa pediu uma solução “justa e pacífica” para a crise venezuelana. “A grande autoridade moral que o Vaticano e o papa têm, na melhor das hipóteses, facilita o processo de garantias para alguns que hoje se recusam a ver a realidade”, disse Guaidó, que acusa Maduro de “usurpar” a presidência por ter sido reeleito com fraude de votos. Maduro enviou uma carta esta semana ao líder da Igreja Católica, na qual ele pede “seus maiores esforços” para ajudar “no caminho do diálogo”.


O papa está disposto a mediar se as “duas partes” o solicitarem. 


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