FMI: transição para energias renováveis geraria forte demanda por metais

Segundo relatório, os combustíveis fósseis diminuiriam de quase 80% de participação para cerca de 20%

Por: Estadão Conteúdo  -  09/12/21  -  05:29
Relatório do FMI apontou aspecto que leva em conta os níveis de demnda por metais
Relatório do FMI apontou aspecto que leva em conta os níveis de demnda por metais   Foto: Vanessa Rodrigues/AT

Na avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI), um cenário no qual a parcela de energia proveniente de fontes renováveis aumentaria dos níveis atuais de cerca de 10% para 60% em 2050 representaria um grande desafio para as atuais cadeias de fornecimento globais. Neste cenário, os combustíveis fósseis diminuiriam de quase 80% de participação para cerca de 20%, aponta o organismo em relatório.


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"A substituição de combustíveis fósseis por tecnologias de baixo carbono exigiria um aumento de oito vezes nos investimentos em renováveis e causaria um forte aumento na demanda por metais", aponta o FMI. No entanto, o desenvolvimento de minas é um processo que leva tempo - geralmente uma década ou mais - e apresenta desafios. Dado o aumento projetado até 2050, as taxas de produção atuais de grafite, cobalto, vanádio e níquel parecem inadequadas, mostrando lacuna de mais de 66% em relação à demanda, enquanto os suprimentos atuais de cobre, lítio e platina também são inadequados, com faltas de 30 a 40%, aponta.


Para alguns, as reservas existentes permitiriam uma maior produção com mais investimentos em extração, como para grafite e vanádio, aponta o FMI, enquanto para outros, as reservas atuais podem ser uma restrição na demanda futura - especialmente lítio e chumbo, mas também para zinco, prata e silício. O relatório lembra que as empresas podem expandir as reservas por meio da inovação na extração e mais esforços podem levar ao aumento do suprimento futuro de metais. Além disso, a reciclagem também pode aumentar o abastecimento, e, atualmente, a reutilização de sucata só ocorre em grande escala para cobre e níquel, mas está aumentando para materiais mais escassos, como lítio e cobalto.


Outro alerta do organismo é para a concentração em determinados países, caso da República Democrática do Congo, que responde por cerca de 70% da produção de cobalto e metade das reservas. Riscos semelhantes se aplicam à China, Chile e África do Sul, com quebras ou interrupções em suas instituições, regulamentos ou políticas podendo complicar o crescimento da oferta, aponta o FMI.


Um desafio relacionado é o financiamento insuficiente para investimentos em metais e mineração devido ao crescente foco do investidor em considerações ESG. A mineração envolve impactos ambientais e alimenta o aquecimento global, lembra o FMI. "Embora os depósitos sejam amplamente suficientes, o aumento necessário no investimento e nas operações de mineração pode ser desafiador para alguns metais e pode ser prejudicado por riscos específicos do mercado ou do país", conclui o FMI.


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