Conexão Noruega: Em troca de altos impostos, excelente qualidade de vida

Nesta edição da coluna, Joyce Castro fala sobre os fatores que levaram o país a ter o melhor IDH do mundo

Por: Joyce Castro - De Bærum  -  03/11/18  -  21:59
  Foto: Pixabay

Educação de qualidade e gratuita, ausência de preocupação com a segurança, serviço de saúde eficaz para todos, baixo índice de desemprego e, de quebra, uma paisagem de tirar o fôlego. Esse padrão almejado por muitos países é uma realidade na Noruega. Para liderar há anos o ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a matemática é simples: a qualidade de vida é proporcional ao custo necessário para mantê-la.


Na Noruega, o planejamento faz parte do dia a dia. Desde o nascimento. Por isso, é comum falar em salário anual. O valor bruto médio para quem trabalha 37,5 horas semanais varia de 410 a 480 mil coroas anuais, algo em torno de R$ 181 mil a R$ 212 mil por ano. Geralmente um trabalhador paga cerca de 25% de seu rendimento bruto em imposto, mas o tributo pode atingir 47%. Simplificando: quanto maior o rendimento, maior a porcentagem paga em impostos.


Por esse motivo, a Noruega também figura nas primeiras colocações no ranking de custo de vida no mundo. O aluguel mensal de um apartamento de dois quartos aqui em Bærum, cidade vizinha à capital, Oslo, chega a 13 mil coroas (R$ 5.700).


Uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças) deixa no caixa do supermercado cerca de oito mil coroas (R$ 3.500) mensalmente.


O transporte público possui uma frota pontual, bem cuidada e eficiente. O bilhete único permite que o usuário utilize, no prazo de uma hora, metrôs, trens, bondes, balsas e ônibus. A passagem custa 35 coroas (R$ 15,50) para adultos e 18 coroas (R$ 8) para crianças e estudantes.


Há ainda aquelas taxas desconhecidas por nós brasileiros. Se uma pessoa tem tevê em casa, precisa pagar uma taxa anual pelo sinal. E isso não tem relação com o pacote de tevê a cabo. Esse imposto leva mais 2.970 coroas (R$ 1.300).


O ensino é gratuito para crianças em idade escolar. Já as creches públicas e privadas são pagas. Uma vaga para jornada de tempo integral custa 2.910 coroas ao mês (R$ 1.285).


Mas embora o custo de vida pareça alto para quem acaba de chegar por aqui, os impostos sustentam o sistema social igualitário que oferece ótimos benefícios aos moradores. Vale destacar um dos benefícios aplicados a todas as famílias, independentemente da renda. Do nascimento até completar 18 anos, o governo oferece apoio financeiro. Mensalmente os pais recebem 970 coroas (R$ 430) por filho para ajudar com as despesas.


Entre impostos e benefícios, a balança fica equilibrada e é difícil encontrar quem escolha não trabalhar, já que duas fontes de renda num mesmo lar possibilitam mais horas de lazer sem precisar apertar os cintos. Luxo por aqui não são carros novos, mas passeios em família e a esperada viagem nas férias de inverno para fugir do frio, que, por sinal, está chegando.


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