Conexão Austrália: Onda de calor eleva temperatura a 49°C

Nesta coluna, Fabiana Marinelo fala sobre a onda de calor que atinge o país australiano

Por: Fabiana Marinelo - De Sidney  -  18/01/19  -  21:35

Se você está reclamando de calor aí na Baixada, fique feliz. Porque aqui, na Austrália, está bem pior. O país está vivendo, nesta semana, uma onda de calor com pouquíssimos precedentes. Na terça-feira (14), os 15 lugares do mundo com a temperatura mais elevada estavam na Austrália.


Das 15 localidades, dez estavam no Sul da Austrália, três em New South Wales e outras duas no Território do Norte, com temperaturas variando entre 46°C e 49°C, de acordo com centros meteorológicos.


Está sendo a pior onda de calor na Austrália desde 2011. E os efeitos negativos são aparentes. Em Sydney, por exemplo, ocorreram alertas de saúde por conta dos altos níveis de ozônio, devido à baixa qualidade do ar. O ozônio elevado pode irritar os olhos e as vias aéreas humanas, além de ser ruim para as plantas. Crianças foram internadas por causa do calor e algumas pessoas morreram por algo conhecido como um derrame provocado pelas altas temperaturas.


Outra preocupação com o clima quente é a iminência de incêndios florestais. Equipes no país inteiro estão em estado de alerta. As seguradoras prepararam manuais de como agir em situações de incêndios próximos às residências.


E um dos mais tristes efeitos do calor intenso, pelo menos na minha opinião, é o dano causado ao meio ambiente. O impacto mais chocante registrado na Austrália, recentemente, foi a morte de quase um terço da população de uma espécie de morcegos, conhecidos como raposas voadoras.


Esses morcegos são pequenos e uma de suas características é uma marca nos olhos, como se fossem óculos. Alguns morcegos não sobreviveram às altas temperaturas, que ultrapassaram os 42ºC no dia 27 de novembro. Pessoas relatam que viram milhares de morcegos caindo das árvores e mortos no chão. Alguns quintais ficaram repletos de animais mortos.


Na semana passada, pesquisadores da Western Sydney University concluíram que cerca de 23 mil animais morreram na onda de calor de novembro. Mas os números devem ser maiores, uma vez que é difícil contabilizar os animais que vivem livremente. A Austrália tinha apenas cerca de 75 mil morcegos desta espécie, de acordo com pesquisadores. A preocupação, agora, é que outras ondas de calor estão por vir durante todo o verão australiano e os morcegos correm perigo. Além da Austrália, estes morcegos só são encontrados em Papua Nova Guiné, na Indonésia e nas Ilhas Salomão. Por essa razão, os pesquisadores agora lutam para que a espécie seja incluída na lista de animais ameaçados, para que sejam criados programas de proteção.


Outros animais que sofrem são os coalas. O país registrou, em diversas regiões, o aumento dos pedidos de resgate da espécie. No estado de Queensland, coalas foram vistos se arrastando pelo chão e desorientados por causa do calor. Os animais também são vítimas certas quando ocorrem os incêndios florestais.


A Austrália reconhece o impacto negativo do calor no dia-a-dia das pessoas e, principalmente, os efeitos no meio ambiente. Mas não há muito a ser feito. O temor dos especialistas que acompanham a vida selvagem do país é que o aumento das temperaturas poderá exterminar algumas espécies nativas. O mais alarmante é que alguns animais são mais resistentes – estes são ratos e pombos, que convivem facilmente com o calor e o aumento da presença humana. O futuro, então, pode ser muito menos de coalas e mais de ratos. Assustador.


Logo A Tribuna