Um dos destaques é o show do álbum A Mulher do Fim do Mundo, de Elza Soares, gravado em 2016 (Alex Ribeiro/Divulgação) A música brasileira, no que ela tem de melhor, a sua riqueza e variedade, dos palcos do Sesc para a casa de qualquer pessoa. E de graça. Uma boa pedida para os feriados de Natal e Ano-Novo é explorar a plataforma Sesc Digital, que reúne uma coleção de nomes e encontros musicais raros, que passaram pelas unidades do Sesc paulista nas últimas décadas. Lá estão, por exemplo, Elza Soares, com seu A Mulher do Fim do Mundo, gravado no palco do Sesc Pinheiros em 2016. A gravação se tornou o documento de uma das fase mais inventivas da carreira da cantora. Primeiro álbum inteiramente de inéditas de Elza – premiado com o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira e eleito Disco do Ano pela APCA e pela Rolling Stone Brasil –, a obra ganhou no palco uma dimensão quase ritualística. Com direção musical de Guilherme Kastrup e músicos centrais da cena paulistana, Elza transformou dor, desejo e denúncia em gesto cênico, encontrando, aos 85 anos, um novo começo. A apresentação de Mano Brown no Festival Batuque, em Santo André, também é um dos pontos altos (Guilherme Luiz de Carvalho/Divulgação) Essa força de reinvenção também é observada no jazz expansivo do saxofonista norte-americano Kamasi Washington, que apresentou no Sesc São José dos Campos trechos de The Epic, álbum que o projetou internacionalmente e figurou entre os mais celebrados pela crítica do jornal britânico The Guardian. Ao lado do pai, Rickey Washington, e de sua formação histórica, Kamasi faz do palco um território de expansão, em que cada solo soa como comentário sobre ancestralidade, futuro e liberdade. Encontros de gerações Já a conversa entre gerações está no encontro de Andreas e Yohan Kisser no projeto Kisser Clan, registrado no Instrumental Sesc Brasil. Pai e filho exploram o rock instrumental em um repertório que transita de Metallica a Led Zeppelin, alternando peso e delicadeza em momentos acústicos raros. Em outro registro de afeto e herança, o encontro entre Bebel Gilberto e Guilherme Monteiro, no Sesc Vila Mariana, celebra o lançamento do álbum Relicário: João Gilberto ao vivo no Sesc em 1998. O show costura memória e experimentação, reafirmando a arquitetura sensível da bossa nova com sua música que diz muito, mesmo quando escolhe o silêncio. Se o jazz fala de retorno e transcendência, o rap é calcado na crônica, presença e urgência. Em 2015, no Sesc Araraquara, Rashid apresentou canções que marcariam sua trajetória, como A Cena e Depois da Tempestade, em um show que reafirma sua habilidade de transitar entre poesia, política e festa. Já no Festival Batuque, em Santo André, Mano Brown levou ao palco o repertório de Boogie Naipe, álbum que ampliou seu espectro sonoro e crítico. Entre soul, funk e referências diretas a Marvin Gaye, Tim Maia e Cassiano, Brown revisita sua própria história e a da música negra brasileira. A plataforma Confira abaixo a lista completa de shows históricos disponíveis na plataforma www.sesc.digital, que também inclui filmes, tanto de ficção quanto documentários, e cursos a distância, mostras, disponível também para Android e IOS. Elza Soares – A Mulher do Fim do Mundo Ano/Local: 2016, Sesc Pinheiros Duração: 52 minutos Direção musical: Guilherme Kastrup Kamasi Washington Ano/Local: 2017, Sesc São José dos Campos Duração: 75 minutos Kisser Clan Ano/Local: 2025, Sesc Consolação Duração: 60 minutos Bebel Gilberto & Guilherme Monteiro Ano/Local: 2023, Sesc Vila Mariana Duração: 65 minutos Archie Shepp Ano/Local: 2011, Sesc Pompeia Duração: 70 minutos Rashid Ano/Local: 2015, Sesc Araraquara Duração: 65 minutos Mano Brown – Festival Batuque Ano/Local: 2018, Sesc Santo André Duração: 75 minutos Criolo – Festival Batuque Ano/Local: 2016, Sesc Santo André Duração: 70 minutos Charles Bradley Ano/Local: 2015, Sesc Pompeia Duração: 70 minutos Marlena Shaw & Bixiga 70 Ano/Local: 2015, Sesc Pompeia Duração: 75 minutos