Obra Traumalândia usa a fantasia para abordar sentimentos, medos e amadurecimento de crianças e jovens (Imagem Ilustrativa/Canva) Sim, claro! É uma dádiva podermos contar com livros que podem iniciar uma conversa sobre as nossas emoções e sentimentos. Às vezes, a criança e o jovem não sabem nomear o que estão sentindo. Alguns pais também não sabem conversar sobre isso, mas aí entra o livro para fazer uma ponte entre a ficção e a realidade, mostrar mundos, ideias, pessoas diferentes e como cada um resiste ou supera as adversidades. Não há fórmula mágica e crescer é difícil, quase sempre dói. Os pais vão deixando de ser os protetores e os amigos passam a ser a régua, podem ajudar ou piorar essa confusão que é instalada na criança quando chega a fase de amadurecer, mas ainda não é um adulto. Por isso, o quanto antes falarmos de situações emocionais, como medo, insegurança e autoestima, que podem ser fases passageiras ou permanentes, é o melhor para todos, antes que se fechem na concha ou, melhor, no quarto. Algumas crenças limitantes e traumas podem surgir na escola e até mesmo dentro de casa, no ambiente que deveria ser seguro. Por isso, uma leitura compartilhada de pais e filhos, com um diálogo depois de cada capítulo, pode ser uma forma inteligente e acessível de entendermos o que se passa dentro dos nossos pré-adolescentes e também uma maneira deles poderem abordar temas quando sentirem necessidade. Acabei de ler Traumalândia, de Danielle Pinotti e Marcelo Maluf, e gostei bastante da forma divertida com que a obra traz questões sérias sobre nossas emoções. A publicação é da Editora Biruta e as ilustrações são da Daniela Koyama. Traumalândia é um lugar desconhecido, escondido entre pântanos profundos e armários de cem metros de altura. Lá, tudo e todos são verdes. Bem, todos com exceção do forasteiro, um urso-de-pelúcia-guardião-de-sonhos, que por acaso foi parar por lá. Num dia de calor tremendo, enquanto come seus amendoins torrados no topo de uma árvore, Lindinho (como é mais conhecido o ursinho) vê uma coisa muito estranha acontecendo na Ponte para Lugar Nenhum: Culpaminondas, Cora Medonhas, Beca Verô, Jezebel e Solilóquio desaparecem de forma misteriosa! Será algum plano malévolo do único vilão da região, Siguimundo Fred? Serviço: Traumalândia, de Danielle Pinotti e Marcelo Maluf, com ilustrações de Daniela Koyama. Editora Biruta, 216 páginas, R\$ 69,50.