A obra é o fruto de quatro mulheres (jncluindo a ilustradora Ani Ganzala) falando sobre ancestralidade (Reprodução) Imagine Chapeuzinho Vermelho saindo de casa para visitar a vovó em uma floresta do... Brasil. Foi exatamente isso o que fez a jornalista e escritora Vanessa Guarani Ratton, colunista de A Tribuna. O resultado pode ser conferido no livro Pena Vermelha (Editora Joaninha), em que o conto de fadas clássico, compilado pelos irmãos Grimm, na Alemanha, foi adaptado ao universo indígena brasileiro. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Senti vontade de escrever para as crianças sob essa perspectiva: a visão da criança indígena, da avó indígena, do próprio animal e da floresta”, relata Vanessa. Com a história escrita, ela foi conversar com Lucia Tucuju, indígena, que propôs algumas alterações. Depois, consultou a também escritora indígena Kuri. “Digo que eu tenho as ideias e ela torna tudo mais bonito”, sorri Vanessa. Com o livro já aceito na editora, chegou ao projeto a ilustradora Ani Ganzala, que é afro-indígena, como aponta Vanessa. “Temos quatro mulheres trabalhando com a questão da ancestralidade, da natureza, da floresta”, celebra. Porém, esse livro nasceu de raízes ainda mais profundas: da busca de Vanessa para reencontrar o seu passado. Mulherio Por parte de pai, Vanessa tem ascendência indígena, da etnia guarani mbya. Essa origem estava adormecida, até que ela entrou no movimento Mulherio das Letras e conheceu outras autoras indígenas. “Entrei em um processo chamado de retomada. Voltei para a aldeia, retomei contato, fui conhecer parentes, pesquisar, ler”. Logo, junto a Eva Potiguara, ampliaram o movimento, criando o Mulherio das Letras Indígena. Em 2021, nasceu o álbum Guerreiras da Ancestralidade, fruto desse braço do movimento, que reúne mais de 60 escritoras indígenas e em que Vanessa é co-organizadora, coautora e editora. O álbum ganhou o Prêmio Jabuti de 2023, na categoria de fomento à Literatura. “No Brasil, são mais de 300 etnias, 200 línguas. E ainda existe a visão de que índio é uma coisa só, tem os mesmos costumes e língua”. Vanessa acredita em uma ecologia construída a partir do sentimento, da emoção, no que chama de eco-afetividade. Por isso, a importância de difundir esse olhar à infância, onde os valores de uma vida são formados. “O importante desse conhecimento é entender a natureza como parte nossa. Somos todos um. a natureza é nossa mãe, precisamos aprender a nos relacionar com ela, respeitá-la e não vê-la como um mercado, de onde se tira tudo, mas como a mãe que nos dá o abrigo e o sustento”.